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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Música de casamento

Eu sei (ninguém precisa me lembrar) e vocês sabem que meu estado civil atual é...encalhada.

O que não impede que eu sonhe com meu próprio casamento, e tenha minhas próprias ideias (revoltada: minhas idéias permanecerâo acentuadas, independentemente dessa reforma ortográfica. Pode mandar me prender.). Voltando às minhas próprias idéias, no que diz respeito às músicas da cerimônia, elas variam muito, dependendo da música que eu estou ouvindo na época. Sou bem volátil, desapegada de qualquer fidelidade autoral, já que em regra, acho tudo muito lindo, desde que em seu contexto.
Ontem mesmo, chamada a palpitar nas escolhas das músicas para a cerimônia de uma amiga, estava eu na casa da musicista, alheia ao papo das duas. A moça que vai tocar tem uma formação supere erudita, discorre sobre Bach, Beethoven e Schubert assim, como eu discorro sobre bolsas, sapatos e a vida dos artistas...Então, estava eu boiando no papo, mas achando lindo tudo o que ela tocava...
Quando cheguei a uma conclusão. Portanto, se você é bonitona, encalhada e sonhadora como eu, lá vão minhas dicas para músicas de cerimônia. E preste atenção: se você é bonitona, encalhada, amiga de bonitona futura ex-encalhada, pode dar as dicas pra ela também.
Seja coerente. Por mais incoerente que seja uma encalhada ter lido este texto até aqui.
Coerente lato sensu com seu gosto, seu jeito de ser, de pensar e, óbvio, com a ocasião; e coerente stricto sensu, com as outras músicas escolhidas para a cerimônia. Sabe, pode ser ridículo da minha parte, mas eu acho uma falta absoluta de propósito alguém que odeia música nacional, casar com MPB... Se você não gosta, assume e pronto. O que não significa entrar com heavy metal. E nem com uma música de axé, a menos que você seja a própria Ivete (bonitona encalhada ela também, né?)
Como eu presto muita atenção nas letras, acho que é um ponto muito relevante: não escolher uma música sem prestar atenção no que ela realmente diz. Ora, ontem por exemplo, a moça sugeriu que minha amiga saísse ao som de Carinhoso... Agora me explica como é que alguém, com um mínimo de bom senso, acaba de casar e sai da igreja com uma música que diz (comentários meus entre parênteses):
Meu coração
não sei porquê (como não sabe? casou sem saber?)
bate feliz (pelo menos isso)
quando te vêeeeeeeeeeeeeeee (bonitinho)
E os meus olhos
ficam sorrindo
e pelas ruas
vão te seguindo (meio marido maníaco-ciumento-psicopata)
mas mesmo assim
FOGES DE MIM (????????)
Nem preciso continuar, né? Seria um contra-senso...Foges de mim? Só me faltava a noiva levantar o vestido e sair, em desabalada carreira... Fora o final: vem, vem, veeeeeeeeeeeeeeem....
A coerência pode ser sutil... Não é porque você entrou ao som de "Pela luz dos olhos teus", que sua Ave-Maria tem que ser a versão "Nossa Senhora" do Roberto Carlos. Mas as coisas tem que ter um certo equilíbrio. Mas nada massacrante também.
Tudo bem que você (como eu) passou a infância querendo ser uma princesa da Disney, mas ninguém precisa eleger "Temas da Disney" como trilha sonora e pôr o noivo pra entrar com a música do Aladdin, as daminhas com When you wish upon a star, a noiva com a música da Bela e da Fera, as assinaturas com a da Pequena Sereia e todos saírem, felizes, ao som de Hakuna Matata...
Outro detalhe importante, que quase ninguém lembra, é o noivo.
Acho bacana deixar ele dar um pitaco, já vi noivo fissurado na trilogia do Poderoso Chefão entrar ao som da música tema, já vi noivo entrando com Jack Johnson, música do Fantasma da Ópera, enfim, são muitas as possibilidades, mas, nunca, jamais, em nenhuma encarnação, nem pense em deixar o moço entrar ao som do hino do clube dele... corre o risco de ser vaiado, criar polêmica, e o casamento acabar sendo inesquecível pelo motivo errado.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Uma música para o Mr. Big

No dia 25, estava eu assistindo ao especial de fim de ano do Roberto Carlos, coisa mega típica de bonitona encalhada que sou, e que desde sempre a-do-ra Roberto Carlos. Eu, minha mãe e minha sogra adoramos, e a única bonitona encalhada sou eu, mas, enfim, não é disso que quero falar hoje.




De repente, quando ele cantou "Outra Vez", uma luz se acendeu na minha cabeça, como se fosse uma lâmpada.





A Adriana Calcanhoto, em um de seus shows, fala que para todas as situações e sentimentos, já existe uma música no cancioneiro popular brasileiro. E eu, naquele momento, descobri uma música que traduz o Mr. Big, feita para um Mr. Big.





Pesquisando na internet, descobri que a letra da música é de uma moça, Isolda, assim, sem sobrenome, nem nada. Fiquei divagando se Isolda seria um codinome, se o Mr. Big dela tinha um apelido secreto tipo "Tristão", enfim, viagens de uma mente voadora. Conclui que Isolda foi, sem dúvida, vítima de um Mr. Big, desses que assombram a vida da gente.





O site "Paixão e Romance"(http://www.paixaoeromance.com/) conta que Isolda era uma compositora, paulistana "nascida em 09/01/1957, teve forte "influência" musical da família: bisavô e avô maestros e compositores, tornar-se-ia uma das melhores compositoras de músicas românticas a partir dos anos 70".


Segundo o mesmo site, "o grande sucesso de "Outra vez" entre outras qualidades deve-se à maneira como Isolda com muita sensibilidade e talento escreveu os versos de modo que a maioria de quem viveu um grande amor gostaria de poder falar para sua ex-amada(o) e à magnífica interpretação de Roberto Carlos.





Segundo a bonitona encalhada escritora desse blog, essa música foi um grande sucesso porque só pode ter sido escrita para um legítimo Mr. Big, que deve ter atormentado a pobre Isolda por muito tempo. Como, naquela década o Mr. Big ainda não tinha sido identificado e devidamente nomeado pela cientista de relacionamentos pessoais deste blog, as mulheres ainda não entendiam muito bem o fenômeno e podiam passar uma vida amargurada nessa situação doentia e louca.


Afinal, quem além de um Mr. Big, pode ser o maior dos meus casos, de todos os abraços, o que eu nunca esqueci?





Quem, além de um Mr. Big, pode ter sido o amor mais complicado, o melhor dos erros, a mais estranha história que alguém já escreveu? Alguém discorda que o Mr. Big é uma mentira sincera que contamos a nós mesmas, a brincadeira mais séria que aceitamos brincar, o caso mais antigo e, de certa forma paradoxal, o amor mais amigo?






Bonitonas: olha o desespero que só um Mr. Big, muito Big, BIG com todas as letras maiúsculas, é capaz de causar: "Esqueci de tentar te esquecer/Resolvi te querer por querer/Decidi te lembrar quantas vezes/Eu tenha vontade sem nada a perder"... Ela aceita tudo, qualquer coisa, por umas migalhinhas de amor!





E, em seguida, a moça sabe que ele é um Mr. Big. A maldade que só faz bem, o melhor dos planos e o maior dos enganos. Precisa dizer mais?

Ao final, como todas nós, Isolda se conforma: você é a saudade que eu gosto de ter. Só assim, sinto você bem perto de mim, outra vez!





Influenciada pelo BIG clima, fui buscar a música no Youtube. Achei uma versão mais moderninha, com legendas, da Ana Carolina (que, embora bonitona, não sei se poderia ser descrita como encalhada, mas que certamente se adequa melhor aos propósitos desse blog que o Robertão original). Só que, a versão da Ana Carolina não é completa, ela some com um pedaço essencial para quem quiser pensar no Mr. Big. E ai, teve que ser com o Rei mesmo. Com vocês, Melô do Mr. Big, OUTRA VEZ!