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quarta-feira, 18 de março de 2009

Teoria da conta corrente

Considerando que há tempos eu não venho teorizar neste blog nosso de cada dia, hoje decidi retomar o hábito e contar uma teoria nova: a teoria da conta corrente dos relacionamentos.


No filme Tropa de Elite, o Capitão Nascimento, brilhantemente interpretado pelo Wagner Moura, ao subir o morro numa operação que garantiria a segurança do Rio durante a visita do Papa, matava um aqui, outro acolá e usava a expressão "bota na conta do papa". Não é que o papa tivesse mandado matar, nem nada disso, mas era uma espécie de custo implícito da visita de sua Santidade. Em outras palavras, era uma consequência da presença papal nas nossas vidas por aquele período.


Nos nossos relacionamentos, a coisa funciona mais ou menos desse jeito. Cada um de nós tem uma conta corrente, em que as pessoas creditam ou debitam ações.


Um jantar maravilhoso, um sorriso perfeito, um jeito certo de passar a mão nos seus cabelos, tudo isso são créditos. Uma mentirinha aqui, um resmungo sem razão, uma cortada na frente dos amigos, tudo são débitos. E vai pra nossa conta.


Você é muito brava e brigou com TODOS os amigos do seu namorado? Isso vai automaticamente pra sua conta. Débito que você vai ter que rebolar pra gerar créditos suficientes par sua conta-namoro voltar a ter fundos.


A conta corrente da nossa vida é assim, a gente vai creditando os bônus pras pessoas, e vai debitando as coisas ruins, porque, ninguém é perfeito, né?


Além disso, em se tratando de contas de bonitões enroladores, também debitamos o esforço sobrehumano de fazermos pé, mão, sobrancelha, escova, depilação completa e o juros da expectativa pela saída. Ou seja, o moço para na porta da sua casa já devendo um bocado. E, nesse contexto, ninguém vai discordar que um lanche na praça de alimentação no shopping não cobre nem a entrada do investimento, não é? Assim, se o beijo for muito extraordinário, o papo sensacional e a química inigualável, talvez ele saia com algum crédito. Talvez.


Obviamente, assim como contas correntes, você pode perder tudo numa só vez: uma atitude indesculpável (uma traição ou uma agressão física, sei lá) em que os débitos te deixem tão no vermelho que você vá direto para o SPC/SERASA. A bolsa quebrou, não foi? As economias de uma vida podem ser perdidas num passo maior que a perna...


Como a conta corrente do banco fica vermelha, as nossas contas-correntes afetivas também ficam: de raiva, de ódio, de vergonha, de tanto chorar...


Por outro lado, há pessoas que vão em grandes ou pequenos gestos, acumulando uma verdadeira fortuna amorosa. E essa é uma boa medida do sucesso de uma relação. Aquele telefonema diário de bom dia pode cobrir um happy hour que, excepcionalmente, dure até mais tarde. Um bilhetinho lindo no meio do seu livro novo pode compensar um dia de braveza injustificada. E, aos poucos, vai se construindo um relacionamento sólido e feliz.


Tem gente que cobra juros muito altos pelas nossas dívidas. Uma bobagem qualquer vai crescendo no tempo, crescendo e acaba arruinando um tanto de créditos bons. Outras pessoas, não cobram juros, nem os débitos em si, e acabam esgotadas e emocionalmente falidas de tanto dar sem receber.


De um jeito similar, existem também créditos afetivos podres: você atribui créditos a pessoas que não os merecem (pessoas que, na sua frente agem de um jeito e, por trás, de outro, completamente diferente).


Outra coisa interessante é que a gente pode emprestar créditos de felicidade e amor pras pessoas, numa corrente do bem, sabe? Acredito nisso, e conheço pessoas sempre dispostas a me fazer um empréstimo. E eu, sempre que posso, também tento distribuir créditos por ai.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Teoria da Culpa de Hollywood

Esta semana estou muito teórica. E querendo botar a culpa em alguém.

Assistindo a mais uma comédia romântica nesse fim de semana, e descobri que o problema de todos os nossos sonhos e expectativas frustrados vem de Hollywood. Um filme duas horas e, em míseras duas horas, as pessoas se conhecem, brigam, separam, fazem as pazes e vivem felizes para sempre.

E ai, crescemos assim, com uma noção deturpada de tempo, achando que nossas vidas também podiam se resolver em duas horas. Três, no máximo, e isso só se for uma história de amor transatlântica que demore uns 80 anos, tipo Titanic.

A gente acha lindo que, nos filmes, as pessoas fiquem anos sem se ver e, depois se reencontrem e descubram um amor que vai ser eterno. Mas a gente quer tudo isso em duas horas.


Mas não, nossa vida demora. Demora. Demora. De-mo-ra...


E ai, a culpa pelo nosso encalhamento é hollywoodiana.

Alguém já pensou que, em "Um Lugar Chamado Notting Hill", os meses (sim, vários meses) se passam enquanto o Hugh Grant está dando aquela voltinha na feira? Uma mulher aparece grávida, de barrigão, com neném pequeno e depois com o neném no carrinho. Meses! Meses! Mais de nove, com certeza!


Alguém pensou que em "O Melhor Amigo da Noiva", ela conheceu um cara, noivou, foi pra escócia, desnoivou e casou com outro... em duas horas?

Agora, na vida real, o que é que acontece em duas horas? Duas míseras horas!

Dependendo do dia, ninguém nem faz unha em duas horas. Eu demoro duas horas pra escolher uma roupa. Dependendo do trânsito, demoro duas horas pra chegar em casa, demoro duas horas contando um caso pra uma amiga no celular. É revoltante!


No máximo, em duas horas, você toma um pote de sorvete enquanto assiste aos filmes. Ou fica assistindo o filme com um olho na tela e outro no celular pra ver se o fulano por quem você se apaixonou está tentando falar com você. E atire a primeira pipoca quem nunca pôs o celular no silencioso no cinema, e, no meio do filme, resolveu dar uma conferida pra saber se realmente não tem nenhuma chamada perdida.

Sem contar que, nos filmes, os moços são sempre muito lindos, quase metrossexualmente lindos, e mesmo os mais durões, galinhas, cafajestes e mrs. big se apaixonam. Além disso, inevitavelmente, num momento mágico (e sempre súbito) saem (e podem sair) correndo do trabalho, no meio do expediente, correndo na chuva para parar o táxi da amada rumo ao aeroporto e sair rodopiando para, breves flashes depois, estarem na frente do padre e dos amigos (lindos) num cenário (lindo) e viverem felizes para sempre.


Agora, o mais insuportável de tudo, a maior das culpas hollywoodianas, é que nossa vida não tem música de fundo (a menos que você esteja numa festa, óbvio, e ai você sempre corre o risco de a música ser inadequada). Sério. Alguém queria conhecer o homem da sua vida ao som da Dança do Quadrado?

Não, não. Na vida real não começa a tocar "She" quando você entra na festa (a menos que você seja uma debutante, caso em que você não pode ser considerada - ainda - uma bonitona encalhada e que, eu acho, você não vai escolher "She" pra tocar).

E você nunca vai subir (com dignidade para sobreviver a isso) no palco no meio da festa da empresa, usando o vestido maravilhoso e o colar mais maravilhoso ainda, pra cantar pro mais maravilhoso (do que o colar e o vestido juntos) Matthew (hum, o da foto abaixo, difícil escrever o sobrenome) uma música desafinada. Gente, até pra perder um homem precisa de 10 dias! Porém, no filme...duas horas!




Até um dos filmes que eu mais gostei recentemente, Vestida pra Casar, é assim. 27 vestidos? Imagina o tempo que essa moça (auto-identifiquei-me, confesso) não gastou pra ir em 27 casamentos (se bem que eu, em um ano, bati em doze já). Mas o filme chega nos três últimos casamentos (ao mesmo tempo, por sinal) e a tempo de a mocinha arrumar um marido, em duas horas, como não poderia deixar de ser.





E mesmo quem se julga imune a Hollywood, não tem como fugir: nas novelas da Globo, por mais que durem meses, tudo se resolve magicamente no último capítulo. Ou seja, é só esperar pelo último capítulo, com o conforto de saber que tudo vai acabar bem.

O que menos me irrita são as séries americanas, em que as coisas acontecem num ritmo levemente mais aproximado com o da vida real. Além disso, o último episódio das temporadas costuma ser aquele em que surgem mais problemas, e a gente tem que esperar aflitas uns bons meses. E quando, no meio da temporada, o canal decide reprisar um episódio velho? Dá ódio. Você liga a tevê, tensa pela expectativa e lá vem reprise!

Pelo menos, é didático: a gente aprende a lidar com frustrações. E a pensar que, na vida real quem é que já não se pegou assim? Esperando meses pra saber onde vai dar uma história. Se deparando com reprises. Ressuscitando personagens sumidos há várias temporadas. Sumindo com outros que definitivamente não dão certo.

Definitivamente, a vida não é um filme. Nem um seriado. É muito mais que isso, muito mais complexa e interessante. Ainda bem.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Teoria dos momentos não coincidentes

Uma teoria que já desenvolvi há bastante tempo e me ajuda muito na vida de encalhamento é a dos momentos não coincidentes.

É um pouco complexa, mas garanto que é 100% verdadeira.

Eu tive um professor que falava que quando uma teoria precisa de um exemplo para ser explicada é uma péssima teoria. Eu acho que não. Por isso, vou explicar com exemplos.
Às vezes, quando se está namorando, ou paquerando, ou, sei lá, sonhando com um bonitão novo, você faz um milhão de planos e suposições e vive um milhão de momentos de alegria. A primeira vez que ele te liga é uma euforia. O nome dele na sua caixa de emails é outra. Assim, vários pequenos momentos de felicidade vão compondo a sua vida. E os momentos de felicidade são verdadeiros.
Só que, um belo dia, chega a bomba: ele tem namorada. Ou: ele foi visto aos beijos com outra, ou, ainda, em tempos tão modernos como os nossos: ele é gay.
Nessa hora, você sente uma tristeza profunda, uma vontade louca de comer sorvete e chocolate em barra, de largar tudo. É como se nada que você tivesse vivido fosse verdadeiro, porque você se sente enganada. É como se fosse possível voltar o tempo e sentir que você não era feliz, só achava que era.
E é ai que entra minha teoria.
Minhas amigas insistem que uma grande decepção anula toda a felicidade prévia. Você vai vendo sua história - e nem só histórias de amor, pode acontecer com todo tipo de experiência humana: amizade, trabalho, família - de trás pra frente, e se sentindo mal em relação a cada episódio, sentindo-se enganada e infeliz, por tudo que viveu. A gente acha que estava fazendo papel de otária quando se sentia tão feliz, sem saber, na verdade, o que estava acontecendo (que ele tinha outra, por exemplo), sem ter domínio de todos os elementos da situação.
Só que, como os momentos não são coincidentes, como não é possível, ainda, viajar no tempo, defendo que uma tristeza posterior não anula uma alegria já vivida. Por maior que a tristeza seja, e por menores que tenham sido as alegrias, tudo foi verdadeiro e genuíno. Cada um em seu momento. Como está na moda, cada um no seu quadrado. E, sejamos francas, a gente nunca tem domínio de todos os elementos da situação.
Mais que isso, algumas coisas na vida são tão bacanas, que acho que, mesmo sabendo onde elas iriam dar, eu faria tudo de novo. Não abriria mão do meu Mr. Big só pelas noites em claro que fiquei pensando em como ele me fez de idiota. Não abriria mão dos meus paqueras só porque eles não viraram namorados. Jamais abriria mão do meu namoro de hoje por alguma previsão louca que me dissesse que "ele" nunca vai me desencalhar.
Por outro lado, não aguento amigas de memória seletiva, que, só porque terminaram, começam a lembrar só das partes boas, como se o namoro tivesse sido uma perfeição.
-Helloooooooo! Se ele fosse tão bom assim, você não estava sozinha.
Em casos extremos, faço uma listinha das coisas que o moço aprontava, do perfume que deixava ela com dor de cabeça, das grosserias na frente dos outros, dos "ends", das desculpas esfarrapadas e mando a amiga só me ligar reclamando que sente saudade do moço depois de ler a lista três vezes em voz alta, pra se conscientizar que nem tudo eram flores.
De qualquer modo, gosto da teoria dos momentos não coincidentes, porque ela mostra que qualquer experiência, por mais fracassada ou bem sucedida que seja, deixa recordações, que vão nos transformando, nos fazendo melhores, pela dor ou pela felicidade. E é muito bom saber que podemos experimentar, também, momentos de pura alegria.

domingo, 9 de novembro de 2008

Mulher Maracujá


Quem me conhece sabe que eu sou ótima de garfo.


Só não como três coisas: melão, melancia e pepino. Isso, obviamente, entre as coisas comestíveis, porque, desculpem-me (gosto não se discute), sarapatéu e buchada de bode nem entram nessa categoria para mim, portanto, desconsidero.


Melancia eu não como porque, apesar de ser muito aguada, e muito indigesta. Eu fico arrotando melancia o dia inteiro. Então, com outras opções de frescor, evito.

Melão é a mesma coisa, uma água sem graça.

Já o pepino tem um gosto que contamina o resto da salada toda, tudo fica com gosto de pepino e eu acho que esse comportamento egoísta e também altamente indigesto merece ser evitado. Pepino, para mim, só em rodelas para aliviar as olheiras.


O mais interessante é que pepino, melão e melancia, são da mesma família de vegetais...enfim, não gosto dessa família.

Por isso, desde que começou essa história de mulheres-frutas, eu fiquei pensando: tanta fruta boa no mundo, vão escolher logo as piores. São redondas e grandes, metaforicamente parecidas com os glúteos e os seios das tais mulheres, mas só. Umas frutas sem graça, só água e um gostinho de leve. Água e caroço. Acho triste ser denominada de melancia, só pelo formato da sua bunda, ainda mais porque, sinceramente, eu é que não quero ter um bumbum que nem uma melancia. Para mim (mais uma vez, para mim), é muito triste ser só uma mulher casca.
Tudo na vida tem casca e recheio, forma, cor e gosto, e se eu fosse uma mulher-fruta...

Primeiro pensei em mulher-laranja. Sabe, tenho meus furinhos, minhas imperfeiçõe, mas o gosto é ótimo, cheio de vitaminha, muito embora eu me sinta um bagaço algumas vezes.


Entretanto, achei precipitado. Fiquei pensando em várias frutas e possibilidade e cheguei à conclusão de que se eu fosse uma mulher-fruta, seria a mulher-maracujá.



Primeiro, porque a flor de maracujá é linda, sem ser básica. É exótica, e diferente, e cheia de particularidades, mas linda. E cheirosa.



Segundo, porque, quando está novo, o maracujá é uma fruta de pele vistosa, firme, esticadinha, mas por dentro é um pouco azeda. E eu, adolescente era bem mais bonitinha e de pele firme que hoje, mas tive minhas crises e meus azedumes.



O maracujá, aos poucos, vai amadurecendo e ficando com a pele mais enrugadinha, como nós, com marcas, com manchas. Só que ninguém deixa de comprar um maracujá por isso, porque, o amadurecimento do maracujá vai deixando o maracujá mais doce, mais gostoso, mais pronto pra ser consumido, sem perder o toque fresco e azedinho que o caracteriza.

Se não fosse isso o bastante, eu seria a mulher-maracujá porque, como todos sabem, o maracujá acalma, tranquiliza, e eu queria muito ser assim, alguém capaz de trazer serenidade aos outros.

Outra coisa, é que quase todo mundo gosta de maracujá. É uma fruta que, mesmo cheia de personalidade, consegue agradar a muitos. Sem perder seu charme.
Além de tudo, em inglês, maracujá é passion-fruit, a fruta da paixão. A origem do nome, já me informei, refere-se à paixão de Cristo, e não à paixão que eu sinto tão intensamente... O que não impede que eu atribua outro significado a isso, e seja assim, a bonitona-fruta apaixonada!



quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Teoria dos problemas líquidos

Se seus problemas fossem coisas, qual seria o estado físico deles? Sólidos, líquidos ou gasosos?



Um dia fiquei pensando sobre isso e cheguei à conclusão de que existem problemas nos três estados físicos. Foi uma descoberta muito útil na minha vida.


Em geral, todo problema nasce líquido.



É como um copo de água derramado na sua vida, ou, dependendo do tamanho do problema, um tsunami surgindo, sem que você possa segurar. Por mais que você passe um pano, a superfície atingida pelo problema fica úmida, demora um pouco pra secar. Se você não cuida dele, o problema vai escorrendo, do lugar do derramamento inicial para outras partes da vida, inundando seus pensamentos. Péssimo.


Diante do problema líquido, são duas as alternativas. Esquentar, ou esfriar a cabeça.


Se você opta por esquentar a cabeça, o que era líquido fica gasoso, e você vai achar que o problema sumiu. Só que, na verdade, ele apensa se tornou gasoso e devo advertir que o problema gasoso é o pior dos problemas, porque além de não acabar, passa a se alastrar de forma incontrolável, entrar em lugares imprevisíveis. E tudo fica mais complicado. Além disso, o problema gasoso pode feder sem que você possa fazer nada a respeito, pode aparecer no meio de um pensamento a qualquer hora do dia ou da noite, inesperado. Pode contaminar várias áreas da sua vida, sem mencionar o risco de, espontaneamente, condensar e voltar a chover em cima da sua cabeça.


Porém, se você esfria a cabeça, o problema líquido fica sólido. Congela. Fica fácil de ser localizado. Com o problema sólido, você tem tempo de analisar a situação de vários ângulos, perceber se algumas gotas respingaram onde não deviam, visualizar o contexto completo e, então, decidir o que fazer. Você pode achar cacos do problema que tinham se esvaído. Pode colar as peças. Pode guardar o problema por um tempo, entregar a outra pessoa, lidar com ele de forma muito mais prática e, por que não dizer, sábia.



Por isso, a regra é clara: sempre que tiver um problema, faça-o sólido, antes de qualquer coisa.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Organização amorosa




Se você é uma bonitona encalhada bem sucedida, precisa ter um certo nível de organização, pra não ficar perdida entre os diversos pretendentes (presentes, pretéritos e futuros, ou seja, todos aqueles que te pretendem, pretendiam e ainda pretenderão).


Em outras palavras, quando tudo o que você tem de mais concreto são possibilidades de um relacionamento duradouro, e ainda não sabe em qual deles deve investir, manter os pratinhos girando é a tática mais recomendada. Obviamente, casos como esses demandam não só uma memória de elefante (e espero, do fundo do meu coração, que apenas sua memória seja paquidérmica, jamais seu corpinho) e um celular com memória suficiente para mais de 10 anos de paqueras (porque, vamos combinar, bonitona encalhada só depois dos 25, né?).


Considerando que poucos acontecimentos na vida são mais desagradáveis do que atender a um telefonema sem ter a menor noção de quem te ligou (especialmente quando a pessoa do outro lado nem desconfia disso), é bom que você tenha uma estratégia prática e objetiva.


Então, se você dispõe da maravilha tecnológica privativa e particular (imaginem a vida das bonitonas encalhadas antes da telefonia móvel!) com identificador de chamadas, considerando que seus pretendentes serão inúmeros, mas os nomes masculinos não são, você vai ter que dar um jeito de ligar o nome à coisa, ou melhor, ao coiso que te liga. Afinal, João, Ricardo, Bernardo e Marcelo não são nomes exatamente únicos e exclusivos (como seria o caso de um Allan, ou de um Stefano), e o risco de você conhecer dois "homônimos" é alto. Como fazer?
É importante que a classificação adotada tenha um critério objetivo e único para todos. É uma péssima idéia escrever Fulano Lindo, se você acha vários dos seus paqueras lindos, ou simpáticos ou beijo-bom ou tudo de bom (TDB).

Uma amiga minha (podem acreditar, não sou eu, juro!) resolveu de vez a questão: acrescenta, logo depois do nome do bonitão, o lugar em que se iniciou affair. Com isso, ela resolve dois problemas de uma vez só: problema um - identifica o sujeito e, problema 2 - já tem um contexto pronto para a conversa. Afinal, os assuntos a serem abordados com João Axé são completamente diferentes daqueles a serem tratados com Lucas Rave e Bernardo Sushi Lounge e, certamente, bem distintos do que os debatidos com Marcelo Pós Graduação e Ricardo Sertanejo.







É claro que você corre o risco de, aos poucos, ver seu celular transformado num mini-guia de baladas da cidade, tipo aquelas edições da Veja cidades, o que, pensando bem, é bom, porque significa que você circula, se diverte e está encalhada porque, enquanto não sai casamento, você pelo menos está curtindo bem seu encalhamento.


A técnica é praticamente imune a riscos. Identifiquei dois: o desagradável hábito de alguns espécimes masculinos que insistem em usar um "número privativo" e o caso de você, num momento de fúria, solidão, desapego, memória cheia do aparelho, ou todas as alternativas anteriores, ter desativado o número de um pratinho, que, do nada, resolve rodar de novo. Vamos combinar, tem pratinho que é de metal ou de plástico, como os pratos de criança. Além de serem da pior qualidade, insistem em não quebrar nunca.


Outra consideração relevante é nunca, jamais, em tempo algum, ceder à tentação de colocar, simplesmente: não atender 1, não atender 2, não atender 3, para aqueles que merecem ser deletados. Como disse, pratinhos estão sempre girando, o mundo dá muitas voltas e, recuperar o telefone certo no meio de tantos números é praticamente impossível. Além de constrangedor. Imagine a cena: você fala pro moço que perdeu o telefone dele, que a memória do celular apagou, sei lá, uma desculpa qualquer. Ele, o paquera que estava desativado, sugere te dar um toquinho. Você pega o aparelho e, bem na frente do paquerildo, surge um "não atender 26". Não dá.


Além disso, tratando-se de telefone celular, você sempre pode ignorar as chamadas, por a culpa na operadora, cantar a musiquinha da Oi: "quem ama bloqueia/ quem ama bloqueia". E, se quiser ser mais clara, sem precisar falar nada, é só dar um end. Nas chamadas e no relacionamento.



quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Ex-namoradolândia

Se o relacionamento fosse perfeito, o ex nunca teria se tornado ex. Quem alcança essa condição sempre tem uma dose definitiva de merecimento. A partícula "ex" denuncia que algo não deu certo.

Ou ele te amou demais (ou de menos), ou te procurou demais (ou de menos), ou te respeitou demais (ou de menos). E não é pra mais (nem pra menos) que aquele ser estranho, misterioso e desconhecido, saiu da sua vida num legítimo acordo de Taubaté firmado entre as partes (alguém entrou com a bunda - tomara que ele - e alguém entrou com o pé - tomara que você).



Pois bem.

A teoria utópica (mais uma teoria) é de que todo ex deveria ser automaticamente teletransportado para as geleiras afastadas do pólo sul ou, melhor que isso, mandado de foguete para o distante planeta conhecido como Ex-Namoradolândia, um lugar ermo e deserto habitado apenas por ex-namorados do sexo masculino, desprovido de qualquer docilidade - e de qualquer mulher.

Fico pensando que a ex-namoradolândia deveria ter uma emissora de tv que só transmitisse filmes de guerra e notícias de esportes (sempre com a simpática voz de Galvão Bueno e as insuportáveis mesas redondas eternas, de preferência) e, para alguns poucos, filmes cults, muito cults e livros igualmente cults que não deixassem um minuto de relaxamento na vida. Ah, e Bloomberg, claro.


Um lugar onde não houvesse comédias românticas, novelas, chocolates e tpms, nem nada daquilo que compõe o universo de uma namorada...

De hora em hora, ecoariam por todo o planeta, trechos básicos usados por todo ex-namorado, naquele momento crucial em que decidem se tornar ex... Seriam ouvidos discursos como "eu não estou pronto para um relacionamento maduro agora", "se fosse para namorar era com você", "precisamos ter outras experiências para ter certeza de que é isso mesmo (no caso, nós mesmas) que nós (leia-se eles) queremos", "não vou ser o namorado que você merece" e blá, blá, blá...

Enfim, uma infinidade de papos furados que, não só não diminuem nossas tristezas ou reduzem nossas angústias e ansiedades, mas que também tem a poderosa função de nos manter "no balaio"... Você liga, na maior fossa, e ele te nunca te atende, ou, pior, fica mostrando pros amigos a tela do celular piscando seu nome, como se você fosse uma louca desesperada. Ai, entra no carro, saindo da balada, e te retorna as ligações, com voz de neném?

Amigas, sejam fortes: não atendam os telefonemas, saiam fora, de verdade.
De todos os tipos de ex, o que eu mais abomino é o que precisa de um tempo pra pensar (quanto tempo, meu Deus?)

Quer pensar? Então vá fazer um retiro com os monges castos do Tibet! Sete anos, no mínimo. E se, ao final dos pensamentos, ele chegar a conclusão de que não te quer? Você tem que esperar essa pensação toda?

Os amigos dele contam que ele te ama? Daquele jeito estranho de amar que inclui carnavais temporões, festas do peão de boiadeiro, calouradas, formaturas de 3º ano de mil e cinco colégios, de faculdade, e até bailes de debutantes, mesmo sendo ele mais de uma década mais velho que as aniversariantes? Não serve...

Claro, você tem uma amiga que já te falou isso tudo que eu estou escrevendo. Só que, o infeliz te liga sempre quando está bêbado, e vc interpreta isso como sendo a oportunidade que ele tem de esquecer o orgulho? Não se iluda, ele pode estar voltando de uma balada fracassada e estar te ligando para garantir o que ainda não conseguiu (uns amassos eficientes)...

Ele te liga chorando, diz se arrependeu amargamente de todas as bobagens que fez enquanto vocês estavam namorando e que te tiraram do sério a ponto de nunca mais querer ouvir o nome da figura? Emagreceu 20 quilos? Não dorme há três meses? Pois que coma bastante e tome soníferos, você não serve para engordar nem para adormecer ninguém!

Enigma que assola a humanidade: porque os homens pensariam nos caminhos da vida em meio a turbulência de intermináveis gandaias, se não conseguem pensar durante a tranquilidade e estabilidade de um namoro?

Infelizmente, sei que a maioria de nós identifica o problema quando acontece com as amigas, mas, quando chega a nossa vez... lá vem o auto-engano (comigo é diferente, eu "sinto" que ele está sofrendo"). Cuidado, seu sensor pode estar quebrado...

Ex-namorado só existe e a ex-namoradolândia só não existe porque todo mundo precisa de uma segunda chance e, se todos os ex fossem exilados, não encontraríamos mais nenhum homem maior de 18 anos na face da terra com quem pudessemos iniciar uma nova história. Por isso, deixe seu ex pra próxima, a fila tem mesmo que andar, pra ambas as partes. Se eventualmente, vocês se reencontrarem daqui a uns anos (anos, viu?), certamente serão duas pessoas completamente diferentes das que eram, e ai, dependendo, pode ser que venha a valer a pena.

Porém, mantenha seu radar ligado e faça sua própria ex-namoradolândia abranger um raio de pelo menos 10km do ar que vc respira. Sempre.

Na minha humilde opinião, quando visualizar o infeliz, imagine-o com a caveira de perigo no pescoço e com a placa: Mantenha distância.


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Estagiários

Entre tantos e tantos tipos profissionais, e considerando que, hoje em dia, não há nada demais em se envolver com um homem mais novo, é bem possível que, no meio do seu caminho, surja um estagiário. Você está, empolgada com um paquera e descobre que ele "só" estuda.

Estagiários são aprendizes de alguma profissão, o que nem sempre significa que sejam aprendizes no tato e táticas para lidar com mulheres. Aliás, não são raros os casos de amigas que se envolveram com meninos e se surpreenderam com o profissionalismo e maturidade dos que elas julgavam serem meros iniciantes.
Já que no último post abordei o tema "bolsa de valores" e, como também já contei aqui, estudei bastante o assunto, para fins amorosos, posso dizer com segurança que, para nós, bonitonas encalhadas, estagiários costumam ser investimentos de altíssimo risco, longuíssimo prazo e pouco retorno. O que não significa que devam ser sumariamente descartados. Só que, em se tratando de um investimento complexo, várias características devem ser levadas em conta.
Digo de cara: as saídas podem ser interessantes, mas, dependendo do período (da faculdade) em que seu estagiário se encontrar, e da sua vontade de desencalhar, melhor nem ler o currículo, nem chamar pra entrevista. Por isso, elaborei uma lista, para imprimir e colar no armário, sobre as desvantagens de optar por esse tipo de bonitão.
Desvantagens de se envolver com um estagiário:
a) Ele certamente ganha pouco. E isso vai se prolongar até que ele deixe de ser estagiário. E o pior, recém-formado também sofre, até ter alguma segurança financeira, vai demorar uns dois anos, depois da formatura, pelo menos. Então, não me entendam mal, por favor. Nem pensem que sou uma interesseira candidata a dondoca. Mas um estagiário, em geral, recebe entre um e dois salários mínimos por mês. Sei que o Brasil é um país de muitas diferenças sociais, que muitas famílias se sustentam com isso. Mas é que, se o plano é desencalhar, essa condição econômica vai ser usada contra você, como um argumento muito consistente, diga-se de passagem.
b) Além de ganhar pouco, ele vai ter que vender muitas coisas durante a faculdade. Canetas, mouse-pads, agendas, rifas, tudo isso em prol da famigerada comissão de formatura. Por isso, além de não ter com quem dividir as contas, você ainda será surpreendida com gastos-extra e eventos-mico, do tipo "festa à fantasia da Comissão".

c) O estagiário não necessariamente é um homem mais novo. Ele pode ser da sua idade, até mais velho. Ele pode ter demorado a passar no vestibular. Pode ter ficado na dúvida entre dois, três e cinco cursos. Ter começado alguns e desistido. Porém, fique atenta para o fato de ele não ser um profissional do ramo, ou seja, um ativista estudantil que corre o risco de ser jubilado a qualquer momento.
Se o seu pretendente corre o risco de daqui a pouco ele vai ser confundido com outras pessoas eternas da faculdade (o moço do xerox, o servente da cantina) pelo tanto que é visto nas imediações, se ele é tão irregular que alunos de todos os períodos o cumprimentam, corra dele.
A menos que ele tenha outra ocupação além de estudar, que já desenvolva com alguma independência outra atividade, se tudo o que seu pretendente quer é jogar truco nos intervalos e angariar votos para a chapa 2 do DCE, por favor, mantenha distância.

d) O estagiário costuma sair durante a semana, porque os amigos dele ainda estão nessa fase. E isso significa sair segunda, terça, quarta, sem discriminação de local bairro ou gênero musical... Ele vai curtir micaretas, sertanejos, raves, pagodes e forrós - sem dispensar o estádio de futebol com os amigos - com igual intensidade e é bom que você também tenha fôlego.

e) O estagiário ainda vai encarar a fase "eventos de formatura só para formandos", com todas as coleguinhas embriagadas que ele paquerou o curso inteiro. Você sabem, época de formatura é tumultuada em qualquer namoro, baile então, nem se fala. Prepare-se para aguentar. Yoga, tai chi chuan e meditação budista serão técnicas altamente recomendadas. Até um grupo de auto-ajuda.

f) O estagiário pode ter uma chefe bonitona encalhada super legal e descolada, que não terá escrúpulos em usar da sua condição de chefe para colocar o trabalho em primeiro lugar na vida dele. Inclusive, ela pode usar táticas como mensagens ao celular para "happy-hours" no boteco do lado do trabalho e nada poderá ser feito por você para impedir. Nem pense em aparecer de surpresa. Você vai ter que relaxar e confiar.
g) O estagiário é atleta da faculdade, e se valerá dessa condição para ir nas excursões intermunicipais e interestaduais que, como notoriamente se sabe, são mera desculpa para beber-cair e levantar. Ah, e claro, dar umas paqueradas. Medicina e direito lideram: praia-med e direito-folia são um suplício para qualquer namorada de estagiário desses cursos. Mas não se iluda. Todo curso superior tem um evento do mesmo tipo: alojamentos, vinho de garrafão e pesadelo para a namorada que fica em casa.
Agora, já que nem tudo serão espinhos, vão as vantagens de um estagiário na sua vida:
a)Estagiários sempre se interessarão pelos seus casos de trabalho.
b)Estagiários têm fôlego, disposição e bem menos preocupações que um profissional, ou seja, o risco de um mal humor grosseiro para o seu lado é menor. Além disso, aceitam ordens melhor que os outros.
c) Estagiários ainda têm capacidade (e tempo) de serem românticos, e te mandarem bilhetinhos e emails só para dar oi.
d) O estagiário é um ser em formação, ou seja, ainda dá tempo de você dar uns toques pessoais e deixá-lo do seu gosto.
e) É muito mais fácil matar um dia do estágio (quando você puder dar uma fugidinha com ele) do que do serviço.
E, agora, relendo a lista das desvantagens...fiquei pensando. Qual homem, por mais velho que seja, formado e bem sucedido, não tem pelo menos uma dessas características? Sem contar os inúmeros marmanjos que tenho conhecido e que simplesmente se recusam a crescer e a assumir responsabilidades.
Logo, só posso concluir que, assim como o encalhamento é um estado civil, ser estagiário é um estado de espírito, é um jeito de encarar a vida, de se portar. Tem cara que simplesmente não se dá conta de que o mundo está girando, e fica lá, na dele, estagiário da vida, pra sempre.
Então, pesando os prós e os contras, acho que vale a pena dar uma chance pro estagiário (que ainda está na faculdade) na sua vida. Nem que seja só um estágio.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Sapos ou princípes?

Hoje estou com um enigma Tostines na cabeça. Aliás, faz uns dias que ele me assombra, mas estava sem tempo para redigi-lo como ele merecia ser redigido.

Pra quem não é da minha geração, devo dizer que enigma tostines é um desses enigmas similares ao da galinha e do ovo. Sabe? Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha? É que, antigamente (nem tão antigamente, há poucos ans quando eu ainda era criança), fizeram uma propaganda de biscoito que perguntava: Tostines vende mais porque está sempre fresquinho, ou está sempre fresquinho porque vende mais?

Então, o enigma Tostines do dia é: na vida real, o sapo é que vira princípe ou o princípe que vira sapo?
Explico. Frase shakesperiana do dia: O sapo é um sapo, bem sapo, com todas as sapices sapológicas. Ninguém quer, em tese. Porém, todo sapo merece um crédito. Ele é super sincero, espontâno e transparente. O sapo mostra logo a que veio. Arrota, come mosquito, dá seus pulinhos para lá e para cá, coaxa a noite e gosta bem da sua fêmea. Não vou dizer qual é a fêmea do sapo pra não baixar o nível do texto, mas não é a rã, tá bem?
O problema todo é que a gente não passa a vida inteira esperando o sapo. A gente espera o princípe.
Por mais que exista a lenda de que, nos contos de fadas, o sapo vira princípe, eu não conheço nenhuma historinha em que isso aconteça. Não é com a Cinderela, não é com a Branca de Neve, não é com a Pequena Sereia, nem com a Aurora (Aurora é a Bela Adormecida). Talvez a única que tenha uma versão próxima de sapo seja a Bela (da Bela e a Fera, que, por sinal, é a minha preferida). Só que a Fera é bem mais interessante que um sapo. Com sapo, sapo mesmo, nenhuma.
Então, temos todos os motivos pra sempre sonharmos com os princípes. E sonhamos. Muito.
Só que, na minha experiência pessoal, o que tem de princípe virando sapo por aí, não está no gibi (hoje estou resgatando expressões dos anos 80!)
Voltando às histórias infantis, acho válido notar que quando o princípe só aparece, quando a história acaba. A princesa sofre, sofre, sofre. E é sempre na hora do "e viveram felizes para sempre" que o bendito princípe chega. Será que o sapo estava lá, escondido na folhagem (princesa sempre passeia pelo bosque) o tempo todo?
Entretanto, na vida real, não é bem assim. Pelo contrário, é quando chega o princípe que as coisas começam a piorar.
Sejamos justas. Coitados dos princípes. O moço chega na sua vida (e na sua imaginação) com uma baita responsabilidade. Ele já é perfeito. Só que tem que lutar, todo dia, para manter-se perfeito, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na feiúra e na beleza. E ninguém é tão perfeito assim. Nem eu, nem você, nem Gisele (a top, não a ex-BBB, por favor!). Por outro lado, o princípe se acha perfeito, se sente bem no pedestal que você o colocou, ou seja, pra ele começar a te lançar olhares superiores é um pulo. E de pulo em pulo, ele vira sapo. Pra sempre.
Já o sapo...ah, o sapo já é um poço de imperfeição e só tem como melhorar. O sapo chega e a gente só dá uma olhadinha de descrédito. Ninguém deposita grandes expectativas no sapo, e para ele um beijinho da princesa - que você é - vai fazendo grandes transformações, dignas da abobóra-carruagem. Todo sapo que acha uma donzela disposta a investir nele começa a mostrar o seu melhor, a mudar um pouco o jeito, a ceder em algumas coisas (principalmente em coisas de higiene pessoal).
Outra coisa boa do sapo é que ele é bem menos assediado, você é única pra ele: princesa, como você, de fato, é.
Na verdade, acho que tenho um quê de sapo-fêmea.
Acredito, espero e sonho que o amor vá me transformando em princesa. Aos poucos...
PS: Pra terminar esse post, a notícia que o inspirou. A nova moda das noivas é, em vez do tradicional buquê, jogar sapos de pelúcia pras amigas. Já estou sonhando com o meu. Juro: http://www.lavemanoiva.com/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=192&Itemid=75

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quem tem medo do Mr. Big?

Passado o casamento, mais recente, voltemos aos posts nossos de cada dia.

A pergunta que não quer calar é: quem tem medo do Mr.Big?

Sim, ele mesmo, o Mr. Big a que todas nós, todas sem exceção, estamos condenadas. Hoje, amanhã ou depois.

Acho bastante improvável que alguém não conheça o Mr. Big original, o que assombra a Carrie de Sex and the City. Mas, mesmo que você não faça idéia de quem ele seja, posso resumi-lo: o Mr. Big é, definitivamente, o cara errado. Na verdade, o cara errado para ser feliz para sempre, mas o cara certo para ser muito feliz em alguns momentos.

Se você é homem ou alguma dessas pessoas intelectualmente superiores que não suportam seriados, vou contar o que você precisa saber para continuar lendo este texto. Apesar de ser o cara errado, o Mr. Big não é o cara errado básico. Ele é aquele ser incrivelmente sensual, excepcionalmente charmoso, super interessante, que não chove, nem molha, não caga, nem desocupa a moita, não está lá nem cá. O que te enche de esperanças e some. Misterioso, não deixa nunca que você saiba o que ele realmente pensa a seu respeito (porque prefere te ver sempre encantada com ele, ou, em termos mais diretos e realistas, não quer te tirar do balaio, nem parar de rodar o pratinho).
Ele não é ciumento. Até prefere que você esteja comprometida. Ele não ataca. Nunca. Espera que você tome a iniciativa. E ele faz até a mais contida se jogar.
Ele não se declara. Se fosse famoso, seria daqueles "estamos nos conhecendo melhor". Te deixa sempre imaginando se é um assédio ou não, se está a fim ou não. Sutil, sempre. Porém, está sempre rodeando, aparecendo, marcando o território dele.
O cara que é Mr. Big faz você se sentir sempre a única (o que nunca é o caso), faz você se sentir diferente, flutuante, leve e entorpecida. O Mr. Big é aquele cujo nome, ao aparecer na tela do seu celular, faz parecer que o vibracall está dentro de você, pulando no seu coração. É aquele que, mesmo acompanhado de outra numa festa, dá um jeito de sair de fininho e te dar uma piscadinha que derrete todo o gelo que você levou anos para criar no seu eu interior. O Mr. Big é o efeito estufa na sua calota polar. É aquele que te deixa de orelha roxa.

O Mr. Big é o paquera que vira sigla ou apelido para suas amigas, porque você não quer que o mundo saiba sobre ele. Ele é sempre enigmático, quase mudo, só te olha. Ele não alimenta expectativas de nada mais sério e, por isso, sempre que ele liga, aparece, te chama no msn ou em qualquer outro lugar, faz com que você aceite tê-lo assim, só por um pouquinho. E, assim, é ele quem sempre dá as cartas do jogo, porque, o que você tem com o Mr. Big nunca será um relacionamento. É um caso mal resolvido. Para sempre.

O Mr. Big não é de ninguém e é de todas, mas está, geralmente, sozinho, pois é assim que prefere ser visto. Mesmo acompanhado, tem aquele ar autônomo, independente. E sério. Aliás, ser sério, de um jeito muito sexy, é outra característica marcante desse tipo de homem.

Quando você conta que conversou com ele - absolutamente feliz e realizada - pra uma amiga, ganha bronca, ou, no mínimo, um "não acredito que você conversou com esse idiota de novo".

Mesmo com a bronca, e mesmo sabendo que a amiga está certa, cada uma compreende o seu Mr. Big, até defende a postura deles. A gente é até um pouquinho feliz assim. Com essa inconstância. Com a montanha russa de emoções, com os dois lados da moeda, com o tudo e o nada na mesma pessoa, com esse amor só de expectativa. Loucas e santas, todas as mulheres somos assim (e quem diz isso é a Marta Medeiros). E a gente segue se encantando e se apaixonando e se iludindo e se machucando. Cíclico, como a vida. A gente gosta da segurança insegura que o Mr. Big proporciona.
Se o Mr. Big da sua vida ainda não apareceu, acredite, um dia ele chega. Chega e te derruba, que nem dengue, que nem gripe forte. Você saberá quem é seu Mr. Big no primeiro cruzar de olhos. Se você já sabe quem é (ou foi, quem sabe) o seu, saiba que ele era só isso. Como se ser um Mr. Big na vida de alguém fosse "só"alguma coisa. Pode afirmar: "Nossa, menina, tive um Mr. Big e sobrevivi". Acho que deviam até fazer camisetas assim.
Se todas soubéssemos enquadrar os Mr. Big que nos aparecem nessa categoria, o mundo seria mais calmo, e as psicólogas mais pobres. Anos de análise se resumiriam na seguinte frase: você encontrou seu Mr. Big.
Seria um diagnóstico pesado, incurável, mas, sabendo do que se trata, seria mais fácil lidar com o assunto.
Passada a Big euforia inicial, acredito ser possível guardar o Mr. Big em algum cantinho da alma (poque ele incrusta na alma) e seguir a vida, como se ele nunca tivesse existido, apesar de ser confortável lembrar que ele existiu.
Como os Mr. Big não participam de relacionamentos, eles nunca discutem a relação. Não existe rotina e, sem ela, também não existe cumplicidade, intimidade, entrega. Com os Mr. Big, não pode existir amor. O que, de vez em quando, também pode ser bom.
ATENÇÃO, SE VOCÊ NÃO VIU O FILME SEX AND THE CITY: VOU CONTAR O FINAL!
No filme, só porque era filme, casaram o Mr. Big. Quer dizer, ele foge do casório, mas, depois, acaba casando, com papel passado e tudo. Mas isso só foi possível, porque o seriado acabou e porque, provavelmente não haverá sequência do filme. Seria impraticável a vida a dois com um Mr. Big. O Mr. Big teria que ganhar um nome (que ele até ganha no filme, mas não lembro), teria que perder a pose, o charme e deixar de ser o que ele, de fato, é.
Quanto à pergunta que não quer calar, respondo-a. Não conheço nenhuma Mrs. Big. E é disso que eu tenho medo.


domingo, 21 de setembro de 2008

A teoria do encalhamento


Atendendo a pedidos (e provocações), até que enfim, a minha teoria do encalhamento.

Preciso dizer uma coisa a vocês.

Para mim, estar encalhada é um problema de estado. Estado civil, no caso.

Pronto, falei. E é isso mesmo.

Minha teoria, científica, embasa-se sobretudo no fato de que formulário NENHUM DO MUNDO tem a opção "namorando", "enrolando", "ficando", "morando junto", nada disso. Nem "noiva com data marcada". OU você é solteira OU você é casada, e ninguém escolhe a opção "casada" se não foi ao cartório e fez o devido registro, porque, por mais que você se sinta casada e tudo mais, casar, para a sociedade conservadora em geral, é só no papel mesmo.

Preciso desmistificar também a questão do encalhamento ser um problema. Não é. Aliás, não é necessariamente, mas pode ser em alguns casos.

É que, assim como as gordinhas podem ser felizes ou infelizes, as loiras podem ser burras ou inteligentes, os carecas podem ser de quem elas gostam mais ou de quem elas gostam menos, os de óculos podem ser de nerds ou de Clarks Kents, há encalhadas e encalhadas e muitas delas são encalhadas voluntárias, totalmente bem-resolvidas com isso e, outras, estão ai, sofrendo horrores por ainda não terem um marido pra chamar de seu.

Agora, alguém tem coragem de dizer que aquela pessoa que namora há 822 anos e que encontra-se nas mãos de um bonitão enrolador é desencalhada? Aquela que já ouviu mais de 1252 vezes o caso de alguém que namorou também 822 anos, terminou e casou em menos de 6 meses, com um olhar de compreensão, pensando, no fundo: onde você quer chegar com essa historinha, é desencalhada?

Aquela que está com um enxoval completamente desatualizado, porque compra (e ganha de parentes) peças há mais de 5 anos, aquela que não passa imune a um lançamento de buquê, que é sempre, sempre, sempre, chamada nominalmente pela noiva, é desencalhada pra você? Aquela que um namorado acomodado que, quando alguém da família pergunta:

- E o noivado, fulano?

Tem a resposta infame:

- Ah, deve ser depois de julho...

E o complemento:

- Quer dizer, Júlio, meu primo de 5 anos.

E que, não satisfeito, diz que quem gosta de pedido é telefonista de pizzaria; que casamento é que nem piscina gelada, um pula e fica chamando os outros pra todo mundo se dar mal; que se fosse bom não precisava de testemunha; que casar é que como doença, porque as pessoas "contraem" matrimônio...

Se você tem um espécime raro de sensibilidade masculina como esse ao seu lado, isso lá pode ser considerado desencalhamento?

Amigas, esse negócio de eternos namorados só é bom DEPOIS de casar. Ninguém quer um namorado eterno não. E nisso, posso falar de cadeira: namorei 7 anos (dos 14 aos 21) e agora estou indo pro 5º de um namoro novo (acho que o atual quer superar o ex, eu mereço!). Blogueiro, blogueiro meu, existe alguém mais encalhada do que eu?

Não precisa responder. Espero mesmo que haja outras encalhadas por ai, mas queria explicar isso: entendo o encalhe como um conceito bem abrangente. E tem ficante bonitona encalhada muito mais feliz que bonitonas encalhadas num relacionamento.

Encalhar, pessoas, para mim, é ficar parada no tempo, enquanto as coisas a nossa volta evoluem. Todo mundo casa, menos você. Todo mundo namora, menos você. Todo mundo cresce profissionalmente, menos você...

Quando uma baleia (sem trocadilhos) encalha na praia ou um navio encalha nas pedras, quem encalha é porque parou te ter novidades na vida, e está lá, querendo dar um novo passo, conhecer uma nova rota e não consegue.

Por isso, posso afirmar com certeza, existe muita encalhada que não se sabe encalhada, achando que um namoro já salva alguém. Encalhar é querer ir além em qualquer sentido e não ter companhia.

Enfim, volto a dizer: a bonitona encalhada, infelizmente, sou eu. Muito prazer!

sábado, 6 de setembro de 2008

A teoria dos pratinhos

Uma verdade a ser dita: ninguém nasce bonitona encalhada. E também ninguém sabe, antes dos 24/25 anos, que vai se tornar (ou que já se tornou) uma bonitona encalhada.

O encalhamento chega devagar, como quem não quer nada, e vai se instalando aos poucos, mas sempre é reversível (sim, existe vida antes, durante e após o encalhamento). Ele não tem preconceito de raça, cor, religião, nem classe social. Qualquer mulher está sujeita a isso. Simples assim.

Porém, como tudo na vida tem uma razão de ser, essa brevíssima introdução foi só pra dizer que, se a bonitona só encalha após os 25 anos, é porque o encalhamento pressupõe uma dose de maturidade.

Toda bonitona encalhada já se apaixonou (pelo menos duas vezes), já chorou por alguém (pelo menos cinquenta e duas vezes), já imaginou com detalhes como seria seu casamento (pelo menos mil e cinquenta e duas vezes). A bonitona encalhada, em geral, não tem o arroubo e a histeria adolescente, nem cogita o suícidio pelo simples fato de ser/estar encalhada. Ela trabalha, tem todas as atribuições cotidianas de uma mulher adulta e, em geral, nada que a diferencie muito das não encalhadas.

Além da dose de maturidade, são necessárias algumas doses de bebida alcóolica destilada às vezes (principalmente em casamentos alheios), e outras doses de filosofia, porque toda bonitona encalhada que se preze tem conflitos existenciais suficientes para muitos anos de análise.

Questões de altíssima complexidade assaltam, a qualquer hora do dia (e da noite) a mente das bonitonas: Por que? Por que, meu Deus, o encalhamento bateu logo à minha porta? Onde foi que eu errei? Por que ele disse que ia me ligar e não me ligou? Será que sou tão feia assim? Será que estou gorda? Será que tenho mau hálito?

Enfim, nem uma junta psicológica que reunisse Freud, Jung e Arnaldo Jabor, conseguiria responder a tantas perguntas. Aliás, Freud deu umas pistas boas, mas a bonitona encalhada que vos fala fica bastante reflexiva às vezes, e com tempo de sobra, elaborou algumas teorias, que tornam sua vida mais fácil (e sua existência mais leve).

Foi assim que surgiu a teoria dos pratinhos.



A teoria dos pratinhos nasceu da experiência social coletiva de muitas mulheres (leia-se: eu e minhas amigas) e tem como objetivo explicar o comportamento masculino dos homens solteiros na balada (ou na farra).
Ao contrário das mulheres, cuja complexidade é notória, homens são seres simples, primitivos até, e seu comportamento pode ser descrito em poucas linhas, como farei a seguir.

Todo homem solteiro é um equilibrista de pratinhos em potencial.

Os pratinhos que os homens equilibram, infelizmente, somos nós (olha como a frase da Clarice é boa sempre!).

A dinâmica do equilíbrio de pratinhos é delicada, mas fácil de entender. São vários deles, cada um sobre uma vara (nada de metáforas sexuais, por favor), e o equilibrista deve mantê-los girando para que não caiam no chão e quebrem. Não se pode rodar com muita força, para que o prato não saia voando da vara, nem esquecê-lo, para que não caia.

Para o homem solteiro, cada mulher que ele pega torna-se, automaticamente, um pratinho. Muitos pratinhos significam muitas mulheres, e ele tem que manter todas girando, principalmente para se vangloriar com os amigos, enquanto não quiser escolher um pratinho principal.

Assim, após captar o pratinho (sair para a balada), o sujeito acha o ponto de equilíbrio, girando com força média (ligações telefônicas, mensagens e saidinhas bonitinhas - cinema, pizzaria, barzinhos - geralmente às segundas, terças, quartas e domingos).

A pratinho, ao ser chamada para sair a dois, geralmente se impressiona, fica feliz, e se mantém girando, em equilíbrio por pelo menos uns três quatro dias. É fácil para eles.

Se o sujeito gira demais o pratinho (vira um grude), o pratinho voa e nunca mais é visto (ninguém aguenta homem grudento).

Se o sujeito gira de menos (some por duas semanas consecutivas, sem explicações), o pratinho se quebra (e geralmente o coração da "pratinho" também).

Os dias preferenciais de captação de pratinho são quintas, sextas e sábados. Quando as festas maiores acontecem (eventos do tipo axé, sertanejo, raves, boates, enfim, esses de multidões).

O objetivo do pratinho é ser tirado da vara onde gira e ser transformado em prato principal (leia-se, namorada).

Não se pode falar que os giradores estejam de má-fé. Eles estão testando as possibilidades, fazendo a seleção que lhes convém, e a lei da oferta e da procura nunca foi justa.

Se, depois de escolher um prato principal, o namoro acaba, o prato vira aqueles enfeites de parede de antigamente, que nem podem ser considerados enfeite, são mais uma coisa afetiva, de memória mesmo. E o equilibrista retoma seu ofício.


É preciso acrescentar que, a par da simplicidade dos homens (quase todos iguais), os pratinhos são de vários tipos: de porcelana (só de encostar mais forte já quebra, de vidro (se cair, quebra), duralex (dependendo do jeito que cair, nem quebra) e os pratinhos de metal (também conhecidos como mulher de malandro, cai mil vezes, sabe a teoria, sabe que é só um pratinho, mas volta a rodar toda vez que o moço liga)...

Pronto, bem simples a teoria (homens não são seres, em geral, muito sofisticados). Mas comecem a aplicá-la e me contem se não é verdade...

A seguir, para encerrar este post, uma imagem significativa, de um futuro rodador de pratinhos.