quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Teoria da Culpa de Hollywood

Esta semana estou muito teórica. E querendo botar a culpa em alguém.

Assistindo a mais uma comédia romântica nesse fim de semana, e descobri que o problema de todos os nossos sonhos e expectativas frustrados vem de Hollywood. Um filme duas horas e, em míseras duas horas, as pessoas se conhecem, brigam, separam, fazem as pazes e vivem felizes para sempre.

E ai, crescemos assim, com uma noção deturpada de tempo, achando que nossas vidas também podiam se resolver em duas horas. Três, no máximo, e isso só se for uma história de amor transatlântica que demore uns 80 anos, tipo Titanic.

A gente acha lindo que, nos filmes, as pessoas fiquem anos sem se ver e, depois se reencontrem e descubram um amor que vai ser eterno. Mas a gente quer tudo isso em duas horas.


Mas não, nossa vida demora. Demora. Demora. De-mo-ra...


E ai, a culpa pelo nosso encalhamento é hollywoodiana.

Alguém já pensou que, em "Um Lugar Chamado Notting Hill", os meses (sim, vários meses) se passam enquanto o Hugh Grant está dando aquela voltinha na feira? Uma mulher aparece grávida, de barrigão, com neném pequeno e depois com o neném no carrinho. Meses! Meses! Mais de nove, com certeza!


Alguém pensou que em "O Melhor Amigo da Noiva", ela conheceu um cara, noivou, foi pra escócia, desnoivou e casou com outro... em duas horas?

Agora, na vida real, o que é que acontece em duas horas? Duas míseras horas!

Dependendo do dia, ninguém nem faz unha em duas horas. Eu demoro duas horas pra escolher uma roupa. Dependendo do trânsito, demoro duas horas pra chegar em casa, demoro duas horas contando um caso pra uma amiga no celular. É revoltante!


No máximo, em duas horas, você toma um pote de sorvete enquanto assiste aos filmes. Ou fica assistindo o filme com um olho na tela e outro no celular pra ver se o fulano por quem você se apaixonou está tentando falar com você. E atire a primeira pipoca quem nunca pôs o celular no silencioso no cinema, e, no meio do filme, resolveu dar uma conferida pra saber se realmente não tem nenhuma chamada perdida.

Sem contar que, nos filmes, os moços são sempre muito lindos, quase metrossexualmente lindos, e mesmo os mais durões, galinhas, cafajestes e mrs. big se apaixonam. Além disso, inevitavelmente, num momento mágico (e sempre súbito) saem (e podem sair) correndo do trabalho, no meio do expediente, correndo na chuva para parar o táxi da amada rumo ao aeroporto e sair rodopiando para, breves flashes depois, estarem na frente do padre e dos amigos (lindos) num cenário (lindo) e viverem felizes para sempre.


Agora, o mais insuportável de tudo, a maior das culpas hollywoodianas, é que nossa vida não tem música de fundo (a menos que você esteja numa festa, óbvio, e ai você sempre corre o risco de a música ser inadequada). Sério. Alguém queria conhecer o homem da sua vida ao som da Dança do Quadrado?

Não, não. Na vida real não começa a tocar "She" quando você entra na festa (a menos que você seja uma debutante, caso em que você não pode ser considerada - ainda - uma bonitona encalhada e que, eu acho, você não vai escolher "She" pra tocar).

E você nunca vai subir (com dignidade para sobreviver a isso) no palco no meio da festa da empresa, usando o vestido maravilhoso e o colar mais maravilhoso ainda, pra cantar pro mais maravilhoso (do que o colar e o vestido juntos) Matthew (hum, o da foto abaixo, difícil escrever o sobrenome) uma música desafinada. Gente, até pra perder um homem precisa de 10 dias! Porém, no filme...duas horas!




Até um dos filmes que eu mais gostei recentemente, Vestida pra Casar, é assim. 27 vestidos? Imagina o tempo que essa moça (auto-identifiquei-me, confesso) não gastou pra ir em 27 casamentos (se bem que eu, em um ano, bati em doze já). Mas o filme chega nos três últimos casamentos (ao mesmo tempo, por sinal) e a tempo de a mocinha arrumar um marido, em duas horas, como não poderia deixar de ser.





E mesmo quem se julga imune a Hollywood, não tem como fugir: nas novelas da Globo, por mais que durem meses, tudo se resolve magicamente no último capítulo. Ou seja, é só esperar pelo último capítulo, com o conforto de saber que tudo vai acabar bem.

O que menos me irrita são as séries americanas, em que as coisas acontecem num ritmo levemente mais aproximado com o da vida real. Além disso, o último episódio das temporadas costuma ser aquele em que surgem mais problemas, e a gente tem que esperar aflitas uns bons meses. E quando, no meio da temporada, o canal decide reprisar um episódio velho? Dá ódio. Você liga a tevê, tensa pela expectativa e lá vem reprise!

Pelo menos, é didático: a gente aprende a lidar com frustrações. E a pensar que, na vida real quem é que já não se pegou assim? Esperando meses pra saber onde vai dar uma história. Se deparando com reprises. Ressuscitando personagens sumidos há várias temporadas. Sumindo com outros que definitivamente não dão certo.

Definitivamente, a vida não é um filme. Nem um seriado. É muito mais que isso, muito mais complexa e interessante. Ainda bem.

7 comentários:

misha disse...

isso me lembrou um trechinho do início do livro "alta fidelidade", do nick hornby...
"ouvimos música pop porque somos infelizes? ou somos infelizes porque ouvimos música pop?"

e quem nunca inventou trilha pra ficar suspirando, ne?

Zelma disse...

É muito interessante!!!
Abraços

Caroline® disse...

Hahahahahha! Assisti a Vestida pra casar semana passada, e juro que lembrei da bonitona encalhada! Principalmente na hora em que ela vai toda esperançosa pegar o buquê, e leva um nocaute de uma "colega"!

Daniella Pinheiro disse...

amei todos!!!!
assisti o amigo da noiva a alguns intantes!! perfeito!!!
concordo plenamente que é bem melhor os seriado que as novelas.

"Definitivamente, a vida não é um filme. Nem um seriado. É muito mais que isso, muito mais complexa e interessante. Ainda bem."

Falou e disse tudo!


=**********

Catiluva disse...

Nossa, essa é a minha teoria favorita até agora! Não podia ser mais perfeita! Eu tb culpo os filmes todos pelas horas que sonho acordada com o princípe encantado, hahaha! E tb AMEI esses filmes todos, que são sempre iguais mas eu sempre vejo...e amei 27 dresses! E tb concordo que nos seriados é mto melhor que nos filmes, é mais real. Lembro que fiquei 10 anos grudada no amor do Ross e da Rachel em Friends, hehehe! Bjos

Heloíza disse...

Realmente! Eu vi um filme ontem, 'procura-se marido', que a mulher acaba o casamento, passa 4 dias tentando arrumar alguém pra doar um óvulo pra ela e TCHARAM o marido volta magicamente e faz tudo por ela. Meu deus, Hollywood me traumatiza :~

Marina disse...

Hahaha...Eu adooro quando a Kate Hudson comçea a cantar " you re sooo vain" mais pra lá do que pra cá em " Como perder um homem em 10 dias". Confesso que já quis cantar isso pra uns outros ;)
Mas é verdade, a gente cresce com essa ilusão hollywoodiana de "uma casa branca com cercadinho" e durante a vida vai vnedo que essa não é única forma de ser feliz. E que por mais que a gente suspire as vzs e qusiesse que alguns bofes fizessem pela gente o que eles fazem nos filmes pelas suas amadas, isso não é definitivamente a vida real.
Beijos e parabéns pelo blog!