sábado, 6 de setembro de 2008

A teoria dos pratinhos

Uma verdade a ser dita: ninguém nasce bonitona encalhada. E também ninguém sabe, antes dos 24/25 anos, que vai se tornar (ou que já se tornou) uma bonitona encalhada.

O encalhamento chega devagar, como quem não quer nada, e vai se instalando aos poucos, mas sempre é reversível (sim, existe vida antes, durante e após o encalhamento). Ele não tem preconceito de raça, cor, religião, nem classe social. Qualquer mulher está sujeita a isso. Simples assim.

Porém, como tudo na vida tem uma razão de ser, essa brevíssima introdução foi só pra dizer que, se a bonitona só encalha após os 25 anos, é porque o encalhamento pressupõe uma dose de maturidade.

Toda bonitona encalhada já se apaixonou (pelo menos duas vezes), já chorou por alguém (pelo menos cinquenta e duas vezes), já imaginou com detalhes como seria seu casamento (pelo menos mil e cinquenta e duas vezes). A bonitona encalhada, em geral, não tem o arroubo e a histeria adolescente, nem cogita o suícidio pelo simples fato de ser/estar encalhada. Ela trabalha, tem todas as atribuições cotidianas de uma mulher adulta e, em geral, nada que a diferencie muito das não encalhadas.

Além da dose de maturidade, são necessárias algumas doses de bebida alcóolica destilada às vezes (principalmente em casamentos alheios), e outras doses de filosofia, porque toda bonitona encalhada que se preze tem conflitos existenciais suficientes para muitos anos de análise.

Questões de altíssima complexidade assaltam, a qualquer hora do dia (e da noite) a mente das bonitonas: Por que? Por que, meu Deus, o encalhamento bateu logo à minha porta? Onde foi que eu errei? Por que ele disse que ia me ligar e não me ligou? Será que sou tão feia assim? Será que estou gorda? Será que tenho mau hálito?

Enfim, nem uma junta psicológica que reunisse Freud, Jung e Arnaldo Jabor, conseguiria responder a tantas perguntas. Aliás, Freud deu umas pistas boas, mas a bonitona encalhada que vos fala fica bastante reflexiva às vezes, e com tempo de sobra, elaborou algumas teorias, que tornam sua vida mais fácil (e sua existência mais leve).

Foi assim que surgiu a teoria dos pratinhos.



A teoria dos pratinhos nasceu da experiência social coletiva de muitas mulheres (leia-se: eu e minhas amigas) e tem como objetivo explicar o comportamento masculino dos homens solteiros na balada (ou na farra).
Ao contrário das mulheres, cuja complexidade é notória, homens são seres simples, primitivos até, e seu comportamento pode ser descrito em poucas linhas, como farei a seguir.

Todo homem solteiro é um equilibrista de pratinhos em potencial.

Os pratinhos que os homens equilibram, infelizmente, somos nós (olha como a frase da Clarice é boa sempre!).

A dinâmica do equilíbrio de pratinhos é delicada, mas fácil de entender. São vários deles, cada um sobre uma vara (nada de metáforas sexuais, por favor), e o equilibrista deve mantê-los girando para que não caiam no chão e quebrem. Não se pode rodar com muita força, para que o prato não saia voando da vara, nem esquecê-lo, para que não caia.

Para o homem solteiro, cada mulher que ele pega torna-se, automaticamente, um pratinho. Muitos pratinhos significam muitas mulheres, e ele tem que manter todas girando, principalmente para se vangloriar com os amigos, enquanto não quiser escolher um pratinho principal.

Assim, após captar o pratinho (sair para a balada), o sujeito acha o ponto de equilíbrio, girando com força média (ligações telefônicas, mensagens e saidinhas bonitinhas - cinema, pizzaria, barzinhos - geralmente às segundas, terças, quartas e domingos).

A pratinho, ao ser chamada para sair a dois, geralmente se impressiona, fica feliz, e se mantém girando, em equilíbrio por pelo menos uns três quatro dias. É fácil para eles.

Se o sujeito gira demais o pratinho (vira um grude), o pratinho voa e nunca mais é visto (ninguém aguenta homem grudento).

Se o sujeito gira de menos (some por duas semanas consecutivas, sem explicações), o pratinho se quebra (e geralmente o coração da "pratinho" também).

Os dias preferenciais de captação de pratinho são quintas, sextas e sábados. Quando as festas maiores acontecem (eventos do tipo axé, sertanejo, raves, boates, enfim, esses de multidões).

O objetivo do pratinho é ser tirado da vara onde gira e ser transformado em prato principal (leia-se, namorada).

Não se pode falar que os giradores estejam de má-fé. Eles estão testando as possibilidades, fazendo a seleção que lhes convém, e a lei da oferta e da procura nunca foi justa.

Se, depois de escolher um prato principal, o namoro acaba, o prato vira aqueles enfeites de parede de antigamente, que nem podem ser considerados enfeite, são mais uma coisa afetiva, de memória mesmo. E o equilibrista retoma seu ofício.


É preciso acrescentar que, a par da simplicidade dos homens (quase todos iguais), os pratinhos são de vários tipos: de porcelana (só de encostar mais forte já quebra, de vidro (se cair, quebra), duralex (dependendo do jeito que cair, nem quebra) e os pratinhos de metal (também conhecidos como mulher de malandro, cai mil vezes, sabe a teoria, sabe que é só um pratinho, mas volta a rodar toda vez que o moço liga)...

Pronto, bem simples a teoria (homens não são seres, em geral, muito sofisticados). Mas comecem a aplicá-la e me contem se não é verdade...

A seguir, para encerrar este post, uma imagem significativa, de um futuro rodador de pratinhos.


2 comentários:

aninhasalles disse...

kkk... vc é ótima!!! como, aliás, eu sempre soube!

Zelma disse...

Otimo!
Bastante divertido!
Muito sério tbem!