quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Procurando agulha no palheiro

Agora que já expliquei minha teoria de encalhamento, que já expliquei que tenho namorado, vou fazer um super flash back neste blog, para contar minhas breves desventuras de "totalmente- solteira-tentando-arrumar-um-namorado-logo". Sei que, como os homens são todos iguais, é provável que alguém já tenha passado por situações parecidas com as minhas, então, vamos compartilhar os fracassos, pra continuar evoluindo.
Como já contei, namorei dos 14 aos 21, o que significa que, praticamente, não tive adolescência como a maioria das pessoas. Nâo tive vários paqueras, não sai com turminhas de amigas, então, os anos de treinamento no rastreio de espécimes masculinos interessantes foram nulos. Por isso, tão logo fiquei solteira, fiquei também meio perdida, sem enteder muito bem os procedimentos e regras que regem o desconhecido e temido, para mim, pelo menos, o mundo da balada.
Minhas amigas, ótimas todas, já tinham passado da fase. E eu, lá, achando que tinha que viver tudo o que não tinha vivido em sete anos, em uma única noite, mas sem ter nem a mais remota idéia do que seria esse "tudo" a ser vivido.
Um enigma, uma aventura. Ou várias.
Como não entendia as "regras da noite", o primeiro paquera que me apareceu foi no estágio. Ele não era do mesmo escritório que eu, mas sempre estava nos mesmos tribunais, nas mesmas secretarias, e ai, eu, no auge do meu assanhamento, perguntava:
- Ei, tá jóia?
Verdade. Não sabia nada, nem olhar paquerando, nem que assunto puxar, nada, nada, nada. E nessa eu ia, dia após dia, dando oi, tchau e torcendo pro menino estar lá no mesmo horário que eu. Só pra ver de longe, sabe? Essa sensação quase infantil de frio na barriga, coração disparando? Tudo isso no mundo das idéias, claro.
Preciso dizer. Ele era bem bonitinho, sempre respondia minhas perguntas (também, era o que me faltava eu perguntar que horas são e ele virar a cara...) e era muito educado, mas eu não sabia nada, só onde era o estágio dele (pelo timbre do papel que ele entregava no protocolo). Toda mulher é um pouco Sherlock Holmes.
Nessas idas e vindas, passaram-se quase dois meses da mais pura paixão platônica e imaginária quando, subitamente, eu ia saindo de um dos Tribunais, carregando um milhão de quilos em papel (de salto alto, com meu metro e cinqüenta e oito centímetros de altura), e ouço uma voz:
- Ei! Você quer uma ajuda com esse peso todo?
- Quero, se não tiver problema. - orelhas iniciando o processo de super aquecimento.
- Problema nenhum, sempre te vejo indo pro mesmo lado que eu.
- Então, tá. Aceito demais - bochechas vermelhas, orelhas roxas.
- Meu carro é aquele ali.
Fomos andando até o carro do moço. Em silêncio, claro. Eu tentava respirar menos afobada, pra ver se o rosto esfriava, mas, sem sucesso. O carro estava perto.
Pra ser bem sincera, o meu estágio era bem perto também. Podemos dizer que o carro estava quase na metade do caminho entre o Tribunal e o escritório. Porém, eu não podia perder a oportunidade.
O carro era uma picapezinha, super bonitinha. Gosta de aventuras no mato, pensei. Elogiei o carro, porque, como sabem, elogiar carro de homem é tática certa em 80% dos casos. Entrei sentei, pus o cinto e, como também acontece em algumas das vezes em que fico nervosa, disparei a falar (bobagens) e a inventar assuntos aleatórios: esportes, festas, baladas, queria saber qual era o ambiente que o moço frequentava, quem sabe eu não aparecia assim, do nada, por lá? Chegamos em um semáforo (sinal, aqui em Belo Horizonte). Pelo menos ele não mencionou nenhuma namorada, pensei.
Meu escritório era do outro lado da rua, eu só teria que atravessar, quando ele, gentilmente disse:
- Laurinha (gostei demais do Laurinha, me desconcentrou), você se incomoda de descer enquanto o sinal não abre? É que tenho que virar aqui vai ficar mais longe pra você, e a volta é muito grande...
Completamente constrangida, catei meus papéis correndo, abri a porta do carro e...
ouvi um barulhão.
Sem olhar pro retrovisor, eu não tinha visto o motoqueiro que se aproximava cortando o trânsito (como todos os motoboys) e que, agora, estava no chão da rua, atordoado. Quando meu amigo saiu, o piloto das duas rodas disparou um xingatório sem fim, disse que ia processar, chamar o Detran, enfim, fazer tudo o que tinha e que não tinha direito.
A porta estava arranhada, o retrovisor caiu no chão e meu rosto inteiro, sei lá, devia estar berinjela, de tão roxo.
Depois de acalmar os ânimos, pedi mil desculpas, arrasada. Era o que me faltava. Não satisfeita em bater meu próprio carro, quando estou ao volante, eu agora também bato o carro dos outros, quando sento no banco do passageiro, refleti.
Ofereci para pagar o conserto, ele, muito gentil, não aceitou, disse que não era nada.
Depois de um evento desses, ou as pessoas se odeiam para sempre, ou se tornam mais íntimas do que eram antes, e, pelo menos isso, ficamos amigos. Amigos virtuais, principalmente, ele até me acrescentou no messenger, volta e meia ainda conversa comigo.
Mas nunca mais ofereceu carona.

2 comentários:

Tati Roxo disse...

Laurinha!!!
To adorando seu blog...
Até hoje não tinha conseguido comentar, sempre dava alguma problema (não sou muito boa com computadores)!!!!
Espero mais históriass!!

Beijoss

Flavinha disse...

Adorei esse lado seu q eu não conhecia... Ótima escritora, super espirituosa e bem humorada! Estarei, como boa bonitona encalhada, sempre por aqui acompanhando suas histórias. Boa dica no almoço, viu?!