sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sonhos Vintage


Como se meus pensamentos fossem de uma loja virtual, trabalho com um estoque enorme de sonhos.

Sonhos pequenos, médios e grandes, sonhos de ontem, de hoje e de amanhã.

Meus sonhos frustrados eu liquidei – o que não significa que, por vezes, ainda não me depare com um ou outro esquecido nos fundos poeirentos de minha memória. Não vou nunca ter uma festa de 15 anos. Não vou nunca ser noiva na quadrilha da escola. Não vou ser atriz da 1ª temporada de malhação. Nem paquita. Essas são coisas que não vão MESMO acontecer na minha vida. E eu sou muito feliz com esse fato.


Aliás, talvez mais feliz por não ter realizado esse tipo de coisa. Ainda não estou certa se ter sido paquita ou atriz de malhação seria, hoje, uma coisa positiva.

Não só pelo impacto que teriam hoje, mudando todo o curso do meu destino meio sem rumo, alguns desses sonhos, eu acho, são melhor que não tenham sido realizados. Sua não concretização permite que mantenham sua perfeição intocável que só o querer é capaz de proporcionar...e evitam a decepção do real.

Já comentei com algumas bonitonas que me mandam emails e comentários, que estou tentando escrever alguma coisa sobre amores platônicos. Amores que não se consumam, mas que consomem a gente por dentro. Sonhos não realizados são assim: amores platônicos e, como tais, acabam ganhando uma tinta de perfeição.

De vez em quando, ao me reencontrar com meus sonhos de antigamente, eu os acho muito engraçados. Sempre sinto, todavia, que não perderam nenhum milésimo do encantamento que me despertaram um dia. Deus sabe o quanto eu quis um “meu 1º Gradiente”... Sim, acho que meus olhos ainda brilham quando vejo uma casa da Barbie, por maior que seja a minha consciência da sua absoluta inutilidade – hoje e sempre, já que é impossível transitar com a Barbie na mal projetada casa – continuo achando-a linda, necessária e perfeita. Meu coração dá uns pulinhos e, sim, acho que minha filha vai ter uma, ainda que ela não queira, assim como eu tive um pianinho de madeira que não era exatamente o meu sonho, mas algo me diz que era o da minha mãe.


Atualmente, esses reencontros meus com o que um dia eu sonhei tem se tornado mais amenos, e mais esperançosos... Acho que, assim como as roupas dos anos 80 estão inspirando a moda atual (apesar de eu ainda ser contra o uso de ombreiras), estou adaptando meus sonhos, dando a eles releituras com o passar do tempo e estão ficando cada vez mais interessantes... Por mais que eu saiba que não vou ter nunca uma festa de 15 anos, principalmente considerando meus 27 anos atuais, fico adiando: quem sabe não faço uma festa de 30? Temática, como estão sendo todas as festas de 15 de hoje em dia? É, acho que sonho não pode virar frustração, senão a gente azeda...

Meu sonho grande era escrever o livro. E casar. O primeiro realizei essa semana, o segundo, darei notícias precisas assim que as tiver...
Um dos pequenos era ter feito um book, quando fiz 15 anos.

Pra quê?, as pessoas perguntam. Pra nada, eu respondo.
Pra quem?, as pessoas perguntam. Pra mim, eu respondo.

Pra mim. Pra eu achar que eu também sou linda. Pra eu me orgulhar de ser exatamente como sou. Pra eu me achar, mesmo. E o que é que tem de mal isso? A gente se achar um dia ou outro? A gente dar um aumento generoso pra nossa autoestima, que é uma funcionária tão fiel e dedicada???

Eu poderia estar matando, roubando, mentindo, enganando. Eu poderia estar fazendo lipos, pondo peito, aplicando botox, mas não. Eu só queria me ver assim, do jeito exato que sou, mas mais arrumadinha pelo photoshop...sem ofender ninguém.

Ai eu via umas coisas lindas das minhas amigas e colegas, fuxicava sites de fotógrafas bacanas e ficava economizando o sonho, arranjando desculpas para não realizar.

Minha consciência falava: vai ser caro.
Minha vontade respondia: mas eu trabalho tanto, não tenho marido, não tenho filhos, posso parcelar.
Minha vontade provocava: depois você não vai querer mais.
E a consciência rebatia: vai sim, espera pra você fazer quando estiver grávida, ou quando for casar.
E minha vontade: Laura do céu, cada fase tem sua beleza...se der, você faz outros depois...
E minha consciência: você vai gastar com bobagem???

Naquele dia, dei um sonífero pra minha consciência e marquei. A fotógrafa só tinha data pra dali a um mês e meio. O sonífero não ia durar tanto assim. Mas a vontade foi crescendo e a consciência, depois do golpe, foi doendo menos...E o resultado? Bom, o resultado foi um sonho de anos, realizado há uns meses e, hoje, dividido também com vocês.

PS: As fotos são da Márcia Charnizon (www.marciacharnizon.com.br)

14 comentários:

Renata Rodrigues disse...

Tem gente que acha besteira, mas acho que vc está certíssima! Que mal faz a gente nos dar um bom presente? Ou realizar um desejo só nosso? A vida está aí pra isso mesmo!!! Se a gente não realizar nossos desejos, quem é que vai fazer isso pra gente né? As fotos estão lindas! Beijão!!

Ana Guimarães disse...

Linda!

THIS IS FASHION disse...

concordo com a Renata, seu texto é lindo e as fotos tb, adoro seu blog!! bjos!!
Fabi

Walkyria Suleiman disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Walkyria Suleiman disse...

Eu arrisco dizer que, 99% das mulheres gostariam de ver fotos próprias bem tiradas, bem produzidas. O 1% que fica de fora, é ruim da cabeça, ou doente da vista...rsrsrs.
As fotos estão lindas e, a minha predileta, é a do perfil. Tem um ângulo, um movimento legal....sei lá.
bjs da Walll
http://walkyria-suleiman.blogspot.com/

Kat disse...

ah eu tb alimento esse sonho..
acho que com as fotos do casório vou realizá-lo em parte, mas depois quero fazer um book só meu, para me orgulhar de ter alcançado meus objetivos de emagrecimento..
Parabéns, o trabalho da Márcia é maravilhoso e vc é linda!
Queria ver todaaaass.. adoro entrar no site da Márcia e da Kika Antunes.. ando até com vontade de fazer curso de fotografia!
bjocas

Anônimo disse...

Vc é linda e a fotógrafa é ótima, Laura! Eu tb faço todo ano com o Manoel Guimarães. E serve até pra marcar as fases da nossa vida.
As suas estão per-fei-tas. E estão tranparecendo uma pessoa muito feliz e madura para receber o sucesso que está por vir.
Parabéns! Como fã de carteirinha do seu trabalho fico extremamente feliz por isso!!!

Zé Cabudo disse...

Acho que entendi por que eu gosto tanto do que você escreve. Se seu blog é tão divertido para a mulherada, para os homens ele é extremamente educativo.

Você não faz idéia do quanto eu aprendo sobre as mulheres ao ler o que se passa nessa sua cabecinha extraordinária. Você expressa o pensamento e o sentimento de uma forma muito clara e interessante. Claro que você tem suas particularidades, que a tornam ainda mais charmosa do que nessas fotos. Mas a forma de pensar e de ver as coisas é basicamente a mesma: feminina.

Obrigado por me fazer chegar mais perto de entender esse mundo tão confuso, truncado, indecifrável, platônico e maravilhoso, que é o coração das mulheres.

Rafa Neia disse...

Ai Laura, você é linda, em todos os sentidos! Adoro muito tudo que você escreve! Sabe, eu sempre me senti o cocô do cavalo do bandido, e uma coisa que meu pai sempre fez e hoje eu agradeço muito a ele por isso, foi e levar de tempos em tempos a algum bom fotógrafo para tirar umas fotos. Não tenho book, mas tenho umas fotos bem tiradas de fases da minha vida, nas quais na época eu me sentia um lixo, mas que hoje eu olho e vejo que eu era uma garotinha, mocinha bem bonita! Gosto de me ver naquelas épocas que me trazem lembranças boas, de períodos de vida mais fáceis que os de hoje. Investir na gente sempre vale a pena! Ainda mais quando o investimento poderá ser guardado por muito tempo. Parabéns pelas fotos lindas, se tiver mais, coloque-as também!
Já te mando minha historinha platônica....
Beijos!!!

Rafa Neia disse...

Historinha de amor platônico: atriz principal, Rafaela. Ator principal, Gustavo.
Era uma vez uma garotinha de 13 anos, inocente que só ela, nunca tinha nem beijado na boca. Sua diversão eram as tardes no clube com a amiga inseparável Taíz. No clube, tinham uma turmina, e nessa turminha, tinha um garoto, na época com 14 anos, chamado Gustavo. O garoto era garoto, tinha espinhas no rosto, usava aparelho, como todos os adolescentes. E ele era louco por mim. Mandava recados pelos outros meninos, ia onde eu estivesse, sentava perto de mim, todas as coisinhas bonitinhas que os adolescentes da minha época faziam quando se apaixonavam por alguém. Minha amiga Taíz o achava feio, e como tudo que ele achava eu concordava, o achava feio também. O esnobei por uns 2 anos. Até que ele começou a ficar com outras meninas, e de repente desapareceu, fiquei uns bons 3 anos sem vê-lo. Quando o vi novamente, já com uns 17 anos, ele estava tão mudado. Não era nenhum modelo de beleza, mas era alto, a pele estava lisa, tinha tirado o aparelho, os dentes estavam perfeitos, e ele era super engraçado, enturmado, ia em todas as festas, era super popular. E eu continuava uma menina boba e tímida e que seguia a opinião dos outros. Mas fiquei encantada por ele e comecei a fantasiar como teria sido se eu não o tivesse esnobado naquela época. Já poderíamos ter 4 anos de namoro, minha vida teria sido completamente diferente, na minha fantasia, muito mais feliz. Eu me sentia feia, não tinha nenhum paquera e nenhum carinha oficialmente interessado em mim. Fiquei apaixonada pelo Gustavo. Escrevia diário, anotava todos os dias que o via. Dava voltas no caminho para o colégio só para poder vê-lo. Nunca tive coragem de conversar com ele novamente. Mas imaginava e criava toda uma vida com ele. Passava noites inteiras acordada imaginado histórias românticas entre nós dois. Nunca aconteceu nada entre nós. Nunca nem mesmo conversamos, depois daquela fase de adolescentes no clube. Hoje, ele ainda mexe comigo. Não tenho nenhum contato com ele. Ele se formou, é médico, bem sucedido, mora em outra cidade. Não sei se está solteiro, mas acredito que não. Ele ficou um adulto realmente muito bonito. Já o vi várias vezes com mulheres, sempre bonitas. Me arrependo muito da minha falta de opinião, podia ter me permitido ao menos conhecê-lo. Mesmo que não tivessemos tido nada, teria ao menos tentado. Ou ficado amiga dele, que sempre me pareceu uma pessoa divertida. Até hoje sofro com essa história. Acho que se estixte essa coisa de amor da vida, ele deve ser o amor da minha, pois já se passam mais de 15 anos desse amor platônico. Hoje extremamente adormecido, mas é só ouvir o nome dele pra estremecer. As coisas acontecem em horas da nossa vida que nem sempre sabemos aproveitar. Se fosse hoje, ao menos tentaria não deixá-lo escapar. Gostei muito dele, em segredo, por muito tempo, e ainda sinto esse arrependimento, até hoje. Podia ter sido diferente, podia não ter sido apenas platônico...

Mamãe Livia disse...

Laurinha, vc está lindíssima nas fotos! Parabéns!!!
Depois desse post, vc vai ter que mudar o nome do blog (ou criar outro blog, sei lá...) para "abonitonadesencalhada.blogspot.com", e aí vai ter que escrever outro livro!!!
Beijos da amiga (um pouco distante, mas sempre presente)
Livia

Anônimo disse...

Laura,
entrei no seu blog por acaso.
Minha irmã mais nova-linda,pulsante,agitada,dinâmica, amalucada e muito amada por mim- me mandou a dica. Entrei mais por consideração a ela do que por real interesse. Confesso que não sou muito afeita a blogs, acho sempre que tenho mais o que fazer, sabe...
Sou aquele tipo sem tempo, médica,casada, mãe de 2 girls fantásticas e comprometida com mil e uma coisas ao mesmo tempo (algumas mais imaginárias que concretas, é verdade).
Mas é preciso dizer que adorei ler os seus textos, cometários, ver os vídeos, ouvir as músicas.
Me identifiquei demais!
Tem vida inteligente na Terra!

Ao ver o título em rosa "A bonitona encalhada", pensei:
"Meu Deus, mais uma desocupada, que se divide entre procurar um homem para dar sentido à vida e fofocar com as amigas a respeito, estereotipando as mulheres, com frivolidades, futilidades e inutilidades."
Ledo engano...
A.D.O. R. E. I!!!
Viajei por mais de uma hora...

Depois fiquei pensando:
Por que será que há tantas mulheres geniais "encalhadas", sem namorado, sem marido?
Escassez de espécimes do sexo masculino? Ou estamos muito evoluídas e a turma do peru não conseguiu acompanhar??
Tema digno de discussão...

Não sou encalhada, mas quer saber da última?
Você também não!
Porque encalhada é, segundo o dicionário, não ter continuidade, ficar preso ou embaraçado, não vender bem, não ter aceitação por parte do público consumidor (irc!!)...
Não é o seu caso.
Sugiro você mudar o nome do blog.
A menos que você queira mudar a imagem da "encalhada".
E se não apareceu ninguém suitable ainda, melhor esperar pela pessoa certa. Porque existe a pessoa certa, pode acreditar...
Bem, deixei a mensagem que queria.
A propósito, vi que você vai lançar um livro no sábado.
Quero muito escrever um livro um dia. Plantar uma árvore, ter um filho...aquele esquema. Só falta o livro!
Parabéns e sucesso com o livro!
Cristiana

Ligia disse...

Você é lindaaa!!!
As fotos ficaram maravilhosas!!

Beijinhos!

Ligia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.