quinta-feira, 4 de junho de 2009

Felicidade Clandestina

Quem acompanha este blog desde o começo sabe da minha admiração profunda e especial por Clarice Lispector.
Acho que é a maior autora de todos os tempos, com sua sensibilidade e sutileza típicas e, como todas as coisas verdadeiras, fortes. Os textos de Clarice ecoam por muitos dias em minha cabeça, em minha alma, e depois da leitura de seus contos fico ruminando cada palavra...

Calhou de "Felicidade Clandestina", um dos livros mais lindos de Clarice, ser uma das obras indicadas n meu vestibular e foi por esse livro que fomos reapresentadas, já que, depois de "A vida íntima de Laura", eu tinha me tornado um pouco arredia com a escritora que me proporcionou uma das maiores decepções da infância. Para quem não sabe - ou não leu o post - Laura (cuja vida íntima Clarice conta) é uma galinha. E não foi bom ter uma xará galinha aos 7 anos de idade, como vocês podem imaginar.


Clandestinamente, a Felicidade de Clarice entrou em minha vida, imposta pela necessidade de me preparar para as provas, e acabou se tornando um livro de pequenas lições de felicidade cotidiana. Entre tantos outros textos lindos, um me marcou de maneira peculiar: Perdoando Deus.


Não ousaria tentar reproduzir exatamente o que o conto conta, mas é sobre uma moça (como todas nós) andando por Copacabana e que se pega num exercício de ver as coisas, fazendo divagações lindas sobre o amor e Deus e a maravilha da vida, quando, de repente, pisa num rato morto.


O rato quebra a linha de raciocínio, faz o sentimento da narradora dar voltas e chegar a lindas conclusões sobre o amor.


Fato é que, no domingo, eu estava assim, andando por Copacabana com meus pensamento, pensando em como eu estava feliz e realizada, em como meus sonhos estavam todos parecendo se realizar ao mesmo tempo, agora.


Preparei um post lindo e enorme, no domingo a noite, para contar a vocês a maior novidade de toda a minha vida nos últimos tempos. Não é o livro, e começava assim:


"Eu não sei se foi a fitinha, as ondinhas que pulei, as sementes de romã. Não sei se foi a cartomante, a vidente, as cartas enviadas diretamente ao universo ou as orações e promessas tão devotamente feitas a São Judas Tadeu. Eu não sei o que foi. Sei que deu certo e, acreditem vocês ou não, a bonitona encalhada que vos escreve... VAI CASAR".
Eu continuava assim:
"E mais, vai casar dia 9 de julho, deste ano. Assim, de repente, não mais que de repente."

O texto ia por caminhos que eu nem me lembro e, não sei por quais motivos, decidi deixar a postagem para segunda de manhã. Queria que a semana de vocês começasse com essa novidade.

Na segunda bem cedinho, entrei na internet para publicar a postagem e, de repente, não mais que de repente, exatamente com a mesma frase que eu tinha usado para um post super feliz, vocês sabem o que aconteceu. Pisei no rato morto, o que me deixou em silêncio até hoje, medindo se deveria, e como deveria, contar a minha novidade. Porque, subitamente, fiquei com vergonha de ter estado tão feliz.

Alguns ratos em nosso caminho são necessários, para por as coisas em perspectiva e dimensão adequadas. Por mais que eu sonhe em me casar, este sonho não impede a felicidade cotidiana de ter muitas amigas (e amigos) queridos por perto. De ter amor em várias formas: amor de mãe, de pai, de irmã, amor de prima, de sogra...posso até ser encalhada (o que em breve vai mudar) mas isso, de fato, não é o essencial.
O essencial é estar viva, e ser feliz. O resto, todo o resto, incluindo o encalhamento que tanto nos aflige (ratinho que passa por nosso caminho), faz parte da felicidade. Porque toda a felicidade que conhecemos é clandestina. Está escondida nos cantinhos de nossas vidas, procurando frestas e porões de onde possa, eventualmente, escapar. A tristeza não. É titular. A gente acha normal estar triste, cabisbaixo, cansado, estressado, insatisfeito. Estranho é estar feliz, assim, leve, cantando na chuva, assobiando para os passarinhos, dando bom dia a estranhos que passam por nós na calçada.
Minha felicidade estava toda exibida no domingo. Livro, livro, livro, casamento, casamento, casamento, mais ou menos como o moinho, moinho, vaca, vaca, vaca. Deixei que a felicidade costumeiramente clandestina me inundasse, protagonizasse seu show.
Eu estava acreditando que todos os sonhos se tornariam realidade, sem nenhum susto ou atropelo. Estava certa de que, enfim, seria feliz para sempre, ininterruptamente, simples assim.
Mas não.
Serei feliz para sempre, hoje voltei a acreditar, mas não ininterruptamente feliz. Serei feliz para sempre, se tudo der certo, como fui feliz sempre, até hoje. Carregando, desde sempre e para sempre, a felicidade clandestina que, felizmente, mora dentro de mim.
Se o blog continua? Não sei. Acho que sim.
Porque a Bonitona Encalhada, agora felizmente, sou eu, acho que independentemente do meu estado civil. E essa frase de Clarice, como todas as coisas que ela escreve e que ficam incrustadas em meus pensamentos, já ficou sendo minha também.
Para terminar esse post, e pra quem merece muito mais que Laura Henriques, apresento, "Perdoando Deus" de Clarice Lispector:
Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas.
Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade. Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso "fosse mesmo" o que eu sentia - e não possivelmente um equívoco de sentimento - que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.
E foi quando quase pisei num enorme rato morto.
Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos. Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto.
E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva.
Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada.
Continuei andando, procurava esquecer. Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais. Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação. ... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também.
Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda.
E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte.
Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato.
Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará.
Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.
in "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998

25 comentários:

Ana Izaura disse...

Estou aqui escrevendo seu perfil, e quando atualizo vem essa noticia.Bom meu perfil vai ter um final feliz digno de um conto de fadas. Mas espero sempre poder entrar no seu blog e vê um post novo ok?. Você escreve muito bem e foi um prazer conhecer você, seu bonitão e seu trabalho.

Blog do Cachorro Cansado disse...

Aê..good news!!! Continue a escrever, sempre. Se não como a Bonitona Encalhada, como a Bonitona Casada, A Bonitona qq coisa, que é o que vc é. E também a inspirar os outros a espalhar os pensamentos, por mais bestas que sejam, por aí.
Tkanks lady. E felicidades para ti.
Cachorro Cansado

Ana Claudia Lourenço disse...

Que post lindo Laura! Na minha opinião um dos mais lindos que li até hoje no seu blog, e olha que eu adoro todos!
Infelizmente (ou seria felizmente?!) durante toda nossa vida os "ratos mortos" aparecerão, mesmo nos momentos em que estamos mais felizes! E custamos a entender o sginificado deles!
Força Bonitona!
E não deixe de se comunicar conosco não, sejá lá como for que você se auto-intitulará a partir de agora: bonitona casada, bonitona desencalhada!
Beijos.

Ernani Netto disse...

Legal o post, nos faz refletir!

Acredito que o ideal é ser 90% feliz, porque 100% é sonho!

Devemos viver buscando os 90%, já sabendo que teremos ratos mortos...

E, sim, eu acho estranho o mundo achar normal ser triste e diferente ser alegre!

Bjaum

Mari Godoy disse...

Parabéns! Adorei o seu livro, já li de "uma sentada"!

Agora um super parabéns e muitas, muitas felicidades à Bonitona quase esposa do Bonitão. tenho certeza de que será muitíssimo feliz.

Sobre o seu blog, acho que não deve continuar. Pode continuar escrevendo sobre as peripécias de amigas, reminescências de encalhada ou até mesmo começar uma nova fase: a da recém casada. Falar sobre os primeiros momentos de um casamento deve ser tão intrigante, divertido e, as vezes, triste, quanto falar de encalhadas. Pelo menos, já garante uma segunda capa! =P

Beijos e, mais uma vez, parabéns!

Catiluva disse...

Uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos tempos foi ter dado de caras com este blog e, consequentemente, com a dona dele! Laura, apesar de nos conhecermos há bem pouco tempo, já te considero uma amiga de longa data! Fico bastante feliz por estares a conquistar os teus sonhos. Gostava bastante de partilhar contigo, ao vivo e a cores, o dia mais feliz da tua vida, mas sei que vai correr tudo bem. E, um dia destes, a gente se "conhece", frente a frente.
Sem querer ser repetitiva, mais um lindo texto. Eu tenho mesmo que começar a ler Clarice Lispector.
Um beijo

Carlinda Hellen disse...

Você vai ser muito FELIZ!!!

Você seu noivo são pessoas que mrecem ser feliz!



Bjus

Rê :) disse...

Li todos os livros da Clarice, tenho todos, minha mãe é professora de Letras e até o Doutorado dela foi sobre a Clarice.
Pra mim, o melhor livro dela, sem duvida nenhuma é A Descoberta do Mundo. Já li umas três vezes.

Bjos

Petitinha disse...

Oi bonitona,
antes de tudo felicito a você e seu futuro marido e desejo que tenham uma união feliz.
O texto da clarisse é impressionantemente lindo mesmo jogando na nossa cara algumas verdades das quais fugimos.
Acredito que é bom vermos os ratos, assim preparamo-nos para lidar com eles e talvez até aceitemos sua existência tanto quanto a nossa.
Fique em paz.
BJOKS.

Walkyria Suleiman disse...

Querida Laura. Eu tinha certeza que vc ia dizer isso, que ia se casar. Porque o bonitão deve ter, de relance mesmo, percebido a flor que ele tem por perto.
Se o blog continua? Lógico, porque, como você mesmo disse, essa felicidade clandestina, que mora dentro da gente, é como uma pessoa encalhada, que não percebe seu entorno, presa que está em seu atoleiro. Somos todos bonitões e bonitonas encalhadas, precisando de gente como vc e a Clarisse, pra sair, mesmo que por instantes, numa calçada ou nas linhas de um blog, da nossa mesmice. Olha, pra terminar essa novela...rsrsrs, cito Torquato Neto:
A tristeza tem porto seguro
A alegria é a prova dos nove.

com meu carinho por vc e pela vida
Walll

Patricia disse...

Parabéns querida! uma coisa q me deixa feliz é ver como fico feliz por pessoas que adoro. E vc é uma delas! Os ratos estão sempre por aí, chatinhos. Mas acho q o segredo da felicidade é esse, aceitar q eles existem e que não tem timing nenhum!
Ai de vc que deixe de escrever!
E fique feliz sim!
bjs, Pati

Renata Rodrigues disse...

P.A.R.A.B.É.N.S!!!!
Que você seja muito feliz nessa nova fase, a que você tanto sonhava!!! E não se preocupe com os "ratos". Eles estão aí só pra fazer a gente lembrar que existe muita coisa boa por vir!!!! Sucesso nessa nova vida, de coração! Beijo!

Anna disse...

Querida Laura ja faz um tempo que acompanho o seu blog e fiquei muito feliz com a noticia do seu casamento! Ja comentei uma ou duas vezes aqui e me senti na OBRIGACAO de comentar de novo para te dar os parabens!
Parabens pelo casamento!
Paranbes pelo blog!
Parabens pelo livro!
Parabens por escrever tao bem!
Parabens por conseguir transformar em palavras sentimentos tao opostos como felicidade e tristeza!
Parabens por dividir conosco suas ideias, teorias, sonhos, desilusoes, pensamentos, poesia, sentimentos e textos de uma forma tao intima e gostosa!
Parabens por ser uma bonitona!
E principalmente PARABENS por conseguir DESENCALHAR!!!!!
Rsrsrsrrs...
Adoro o seu blog, por favor nao pare de escrever. Adoraria acompanhar os seus preparativos para o casamento! Como a sua amiga eu tambem sou noiva de gringo e em setembro do ano passado eu o levei para BH para ele conhecer minha familia e meus amigos. Fiquei profundamente emocionada com o post que vc escreveu. E rezo para que todas os parentes e amigos das vitimas sejam consolados por Nossa Senhora.
Mas nao deixe esse rato tomar conta da sua felicidade. Eu ate lembrei de uma frase do Paulo Coelho que um ex namorado me escreveu quando depois de chifrar eu terminei com ele :"Às vezes um acontecimento sem importância é capaz de transformar toda a beleza em um momento de angústia. Insistimos em ver o cisco no olho, e esquecemos as montanhas, os campos e as oliveiras"
A frase eh ate bonita mas ele nao conseguiu que eu o desculpasse.
Bom, acho que esse comentario jah ficou grande demais!
Um grande beijo

Anônimo disse...

Bonitona, que post lindo você nos proporcionou! Conhecendo-a tão bem, imagino como você deve estar feliz vendo concretizado mais um dos seus sonhos em pouco menos de um mês! Outras realizações virão, tenho certeza, pois você é uma pessoa de bem com a vida, sensível e super inteligente, como devem ser seus pais e avós. Quanto aos ratos, faça como eu, crie um gatinho e eles (os ratos) nunca irão lhe perturbar. Tão simples, não é?
Um beijão e não se esqueça de nós.

Anônimo disse...

Oi Bonitona..

Nos últimos tempos com a correria do último ano de facul e o TCC, minha única diversão é dar uma passadinha por aqui, e pelo amor de Deus não pare de escrever, eu estou lendo os posts desde o início e ainda não terminei!! hehehe...
Estou muito feliz que a Bonitona Encalhada vai virar Bonitona Bem Casada ou Bonitona do Bonitão, não sei, mas é bom saber que nossa líder de encalhamento realizará um grande sonho, e isso nos faz feliz também!! os ratos existem para que aprendamos a valorizar os momentos de felicidade..
E por mais difícil que seja em alguns momentos NUNCA se sinta culpada por estar feliz..
bjocas

Ana Guimarães disse...

Redundante, eu sei, mas nunca é demais: PARABÉNS!!! Por tudo: livro, casamento, viagem! Mas principalmente, por existir assim, desse jeitinho que você é! E obrigada por fazer parte da minha vida.
As palavras agora nâo vêm... Você merece mais!!
Beijos!!!

isabella :) disse...

VIVAAAA !

Mas... Não acabe com o blog! :/

:))))))

Zé Cabudo disse...

Dou razão. É difícil comemorar qualquer coisa neste momento. Quase como se fosse culpa ter um momento de descontração. Dada a triste situação, um post do desencalhamento um pouco mais bem-humorado que isso chegaria a ser estranho.

Lidiane disse...

Laura,

AMEIIII a notícia.... o que desejar a vc??? FELICIDADES!!!! Que vc continue sendo essa pessoa tão MARAVILHOSA, ENCANTADORA!!!!

E, que o blog não termine nuncaaaaaaaaaaaaaaaa

Bjos

Larinha disse...

Moça bonita... os ratos existem para nos trazer de volta a realidade, quase um laço-cowboy-imaginário que nos arrebata das luas da imaginação. Isso não significa que estar aqui com o pé sujo de rato seja pior que estar lá, avoando em pensamento.
Casar é bom. Tanto é que, em breve, eu vou fazer isso de novo. Vai de cabeça... você sempre será nossa bonitona. Sempre será você. O resto? É só rótulo, etiqueta.

Beijos e bom final de semana gélido!

Sofia disse...

Comprei seu livr e comentei no meu blog http://amorengorda.blogspot.com/2009/06/dia-dos-namorados-light.html

vai la.
bj

gabistarb@homtail.com disse...

Ola,
Conheci seu blog agora, e dando a louca, resolvi te dizer isso
Obrigada, mas obrigada mesmo. Me identifiquei com seus post de uma maneira necessaria muitas vezes.
Varias vezes quis ter alguem que me disesse o que eu digo muitas vezes para os otros, para que talvez eu comesasse a ouvir e pensar. Foi exatamente isso o que senti ao ler alguns de seus posts: Foi como ouvir os meus pensamentos e algumas ideias da boca(ou letra) de outra pessoa,e você não tem ideia de como isso mexeu comigo.
Agora, não sei se você vai acreditar muito bem, ou sei lah, mas é como se afirmasse algumas ideias e outras coisa que apenas vagavam, novas e (aparentemente) sozinhas na minha mente. Vou continuar cada vez mais, ver a vida com olhos de 1a vez, e vou sempre me lembrar de que somos sonhos, e estes sao materia prima da alma.
Obrigada pelas frases e textos, dao vontade de imprimir e colocar na cabeceira da cama, na porta do quarto, pra tentar ver e não esquecer mais, como um mantra, pra ver se cola na cabeça mesmo, assim como a musica do Creu(!?ew). Mas é serio, vlw mesmo.
Eu, com meus maduros e ao mesmo tempo tao novatos 16 anos, te dou os parabéns pela sua escrita, é maravilhoso.
Obrigada, Gabi
^^ hah

Elinha disse...

Sempre adorei Clarice Lispector, e este texto é um dos que mais gosto. Percebi que vc tem muita sensibilidade!
Não sei se vocês já leram, mas sugiro também o conto "amor", ele também fala sobre um despertar de realidade... É simplesmente lindo!

Viviane Andrade disse...

Oi!
Parabéns pelo post, pela novidade, pela forma como escreve, por suas conquistas e seu senso de realidade. Vida é isso: um pouco de tudo, mas tudo com muito sentimento, seja na felicidade ou nos "ratos mortos".
Virei seguidora.
Beijinhos
www.simplesmenteviane.blogspot.com
www.pragarotasemulheres.blogspot.com

Zé Cabudo disse...

Bonita e desencalhada Laura, voltei um pouco a este assunto, porque queria muito palpitá-lo. E achei melhor esperar que essa tristeza ficasse mais distante, embora eu tenha certeza de que ela não será apagada, nem mesmo esmaecida com o tempo.

Pois bem. Não convivo com você e não sei quais são suas pretensões, no entanto, vou meter o dedo sem dó, assumindo o risco de dizer bobagens e falar do que não sei.

Com a concretização do aguardado, sonhado e planejadíssimo momento de seu desencalhamento, certamente seus casos e pontos de vista sobre o mundo vão mudar alguma coisa, passando a ser agora diferentes, os de uma bonitona desencalhada. Daí, acho eu, sua dúvida em continuar ou não este blog. Ou talvez seja simplesmente por causa do estado civil "encalhada", que não estará mais pertinente com a real condição da autora.

O certo é que você é um sucesso, não tenho dúvida. Seu blog tem um alcance que o meu nunca vai ter. Assim, não sou a pessoa que pode dizer que tem visão de mercado, mas acho que se você procurasse patrocínio para este espaço, muita marca ia querer aparecer aqui. Vejo que você já tem público cativo, que tem aumentado progressivamente. Imagino que donos de marca paguem para ter essa difusão. Ia ser uma maneira cômoda de completar suas receitas ou começar um pé-de-meia para projetos mais ousados. Além disso, claro, a manutenção deste site continuaria a incrementar as vendas de seu já famoso livro. Manter o blog Bonitona Encalhada seria uma decisão mais prática e com retorno certo. Estou falando financeiramente, o que deve ser muito considerado.

Por outro lado, te acho uma bonitona prafrentex. Duvido que você seja do tipo satisfeita e queira mesmo investir numa idéia só. Para mim, o Bonitona Encalhada é uma obra (prima) quase acabada. Você ainda deve ter casos e teorias do encalhamento para nos contar até ficar uma velhinha bonitona, e queremos saber todos! Porém, será que você vai mesmo sentir prazer só nesse tema, digamos, quando seus filhos já estiverem na escola e sua realidade e assuntos cotidianos forem outros? Vejo a Bonitona Encalhada como um primeiro ciclo, que está se fechando, de sua vida de escritora. A Bonitona Encalhada já deixou sua marca em você e em nós. Chegando ao fim, com as estórias do processo de seu desencalhamento (leia-se cerimônia, festa e primeiros dias de casada) e um eventual epílogo com as últimas lembranças importantes que ainda estariam de fora, você teria uma verdadeira obra de arte pronta, com começo, meio e fim. Além disso, a Bonitona Encalhada estaria sendo aposentada no seu auge, o que tornaria sua marca ainda mais forte em nós. Como fez o Pelé. Pra sair da masculinidade das comparações futebolísticas, posso citar Machado de Assis, que, até onde eu sei, tinha seus livros publicados, antes, aos poucos, em jornais. Periodicamente, mais ou menos como é hoje com tantos blogs. E, imagino eu, esses pré-livros do Machado de Assis, e de outros autores antigos, eram finalizados sem que o público estivesse se desinteressando.

O que quero dizer é que, com seu desencalhamento, você agora pode virar essa página (boa metáfora) da sua vida de escritora e seguir em frente, para começar outro projeto (de preferência, internético). Talvez o da Bonitona Desencalhada? Não sei. Acho que você é mais criativa que eu. E, pela capacidade de escrever tão bem sua alma, com certeza as leitoras bonitonas continuariam acompanhando-lhe as idéias e você ainda arrebanharia novos leitores, com temas novos. E, entre as alternativas, é nesta última a que eu aposto.