quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Traição

Um assunto muito complicado é traição.

Eu estava conversando sobre isso com minhas amigas outro dia.
Os casos são os mais inusitados. Uma amiga comentando que, depois de casada, começou a ser muito mais assediada. Outra conta da amiga que está se separando, após três anos de casada, porque não resistiu às investidas de um colega de trabalho. Outra que namorou 12 anos e, seis meses antes de se casar, arrumou um amante e, agora, casada, se divide entre os dois. Outra que foi fazer tratamento pra engravidar e começou a ter um caso com o dentista. Umas coisas que eu achava que só aconteciam em filme.

Como no imaginário popular: padeiros, leiteiros, carteiros, ginecologistas, dentistas... enfim, homens, né?

E eles estão por toda parte. Como nós, mulheres, também estamos. Pessoas. E o que é que faz atermos nosso carinho/amor/atenção e respeito a apenas uma pessoa entre tantas. Principalmente eles, entre tantas mulheres, lindas, sorridentes, magras, doces, selvagens, popozudas, siliconadas, oferecidas, recatadas, enfim, de todo jeito formas e cores? Não sei. Mas acho que começa pelo respeito e pela regra básica de não fazermos com os outros o que não queríamos que fizessem com a gente.

Não sei se todo mundo que lê este humilde blog já viu "Closer", com o Jude Law, Natalie Portman, Julia Roberts (sempre bonitona encalhada!) e o Clive Owen, mas o fato é que, naquela mistureba de chifres cruzados, quando o Jude Law vai contar que traiu a Natalie Portman com a Júlia Roberts, ela pergunta como isso aconteceu.
Ele dá de ombros.
Ela fica brava e diz (não exatamente com essas palavras, mas o espírito é esse): há sempre um momento em que você decide trair. Num determinado contexto, você decide ir em frente ou parar de alimentar uma situação que você sabe onde vai dar. Por isso, toda traição é uma escolha. E, como toda escolha, tem consequências.
Alguém discorda?
A traição, eu penso, só acontece quando você dá uma brecha. Não estou falando sobre ser traída, caso em que, realmente, você não tem nenhuma (às vezes tem, mas o foco do texto não é esse). Estou falando sobre ser o agente ativo da traição. Sobre trair.
Trair é uma escolha, sempre. A pessoa não te respeita o suficiente, não te deseja o suficiente, não te quer, sei lá, mil razões. Pode até ser para se autoafirmar perante um grupo qualquer, o que, para mim, significa ser fraco e idiota, mas, enfim, não "acontece". Ninguém trai no susto. Tipo: ops! o que esse moço está fazendo com a língua dentro da minha boca? A traição é antecedida pelo desejo.
Até que a traição se consume e te consuma, você deu todas as brechas: permitiu a aproximação, o assédio, a intimidade. E isso pode acontecer numa noite, num encontro, numa troca de emails. Num jeito de rir. Vai saber...
De certa forma, toda traição é premeditada.

9 comentários:

Ana Guimarães disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Guimarães disse...
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Ana Guimarães disse...

"Veja bem além destes fatos vis
Saiba traições são bem mais sutis"

Sei não, Bonitona. Entender, definir, rotular, generalizar traição é complexo e perigoso. Como tudo (ou quase tudo) na vida, depende taaanto...
Será mesmo que toda traição é uma escolha? Consciente? Será que os riscos calculados são os riscos assumidos? Consequencias, sim, sempre. Mas será que é mesmo por falta de respeito, desejo, vontade ou amor suficientes? Será que a autoafirmação perante um grupo ou si mesmo é desculpa? Será que é legítima? E o que legitima tudo isso? Será que é sempre fraqueza ou idiotice? Será que às vezes não pode acontecer? Será que toda traição é mesmo premeditada? Concordo que toda traição pode(ria) ser evitada, mas a que custo?
Já fui muito careta em relação à traição. Inflexível, idealista, intolerante. Mas aprendi a relaxar. Aprendi que as coisas nem sempre são explicáveis objetivamente como eu gostaria. Aprendi que não há só um outro lado da moeda, há vários. Aprendi a não julgar, embora continue condenando. Porque mesmo tendo aprendido tudo isso, continuo romântica.
E as traições são beeeeem mais sutis...

Laura H disse...

Ana,
não falei que era escolha consciente, nem que os riscos calculados são os riscos assumidos...mas que, ainda que seja inconsciente, DE CERTA FORMA, é premeditada...não é porque você é um ser maquiavélico ou cruel, mas que você cogitou e autorizou que acontecesse, em algum momento prévio (ainda que um segundo antes) pensou: ok...vai rolar. Independente de rótulos ou julgamentos, sou apenas contra tentar eximir-se da responsabilidade.
Ok, trai, errei, bola pra frente? Podemos superar? Vamos entender o que aconteceu e por que aconteceu?
Vamos ver se valemos a pena? Se não valemos? Se é covardia, se não é? Se é amor, se não é? Se foi desejo? Se foi um momento em que você se viu seduzido(a)? Qualquer coisa só acontece, porque, em alguma instância, vc quer que aconteça. Senão é estupro, atentado violento ao pudor, assédio sexual...

Anônimo disse...

Concordo demais com vc!!!

Desejo todo mundo sente em alguma momento, quem decide trair ou não é exatamente aquele que cede ao desejo.... e tem muita gente que não cede (tomara que seja "muita" mesmo)! Então esse negócio de colocar a culpa na bebida, no inconsciente é perfumaria...

**Leticia** disse...

Bonitona,
concordo plenamente com você. Já traí e fui traída e sei que nos segundos que antecederam este momento eu tive o "instante" de escolha, poderia não ter feito e optei por fazer. O livre arbitrio é isso nee? Nada mais justo do que arcar com as consequencias.
bjs

Ana Guimarães disse...

As traições físicas, sim, concordo, podem sempre ser evitadas. Senão, concordo, seriam estupro, atentado violento ao pudor, assédio sexual. Mas as outras traições, nem sempre. E nem sempre as físicas são as piores, embora sejam as mais temidas, porque o que os olhos não vêem, o coração não sente. Por isso acho comlpicado generalizar ou rotular. É tudo tão relativo...
Também sou contra eximir-se da responsabiliade, seja diante das traições físicas ou não, evitáveis ou não.

Anônimo disse...

Traição é coisa complicada demais pra discutir... Cada um tem seus próprios motivos e muitas vezes eles não são muito claros nem mesmo para o traidor... Traição pode acontecer por sensações inesperadas, pode ser uma vez só, mas também podem ser várias. Tem traidor que sente culpa arrepende, se preocupa com motivos, quer esclarecer, saber o porquê, não pretende repetir. Mas também tem traidor que não se importa... Quem vai julgar, quem vai tentar entender? Cada um que cuide da sua vida, dos seus desejos, do seu relacionamento. Cada um que defina para si o que é aceitável ou não, o que espera doutro, o que faria para respeitar esse outro.

Anna Paz disse...

Primeiro, gostaria de dizer que adorei o seu blog, Laura! Segundo, concordo com o seu ponto de vista sobre traição. Acho emblemática a cena em que o personagem do Jude Law termina com a personagem da Natalie Portman. É claro que traição é um assunto bastante complexo e que, por isso, fica difícil colocarmos rótulos, mas eu assino embaixo na ideia de que a pessoa faz uma escolha entre trair ou não trair, entre saciar ou não a curiosidade em desvendar um terreno desconhecido.

Também acho que quem sofre uma traição, tendo em vista o grande sofrimento que é sentido na maioria dos casos, deve pensar duas vezes antes de trair. Eu, pelo fato de já ter sofrido esse tipo de situação - sendo que o dito cujo preferiu engatar um relacionamento com a outra pessoa - penso assim.

Além disso, não sei até que ponto os acordos feitos entre casais que topam ter relacionamentos abertos funcionam de verdade a longo prazo. Tenho consciência de que não existe um único padrão a ser seguindo em matéria de relacionamentos, mas acho que devem existir certas regras, caso os indivíduos queiram que a relação seja bem-sucedida.

Tentações existem em todos os lugares e sucumbir a todas elas, sem se importar com as consequências, causará muita dor nas pessoas envolvidas naquela história, incluindo o traidor. O mundo dá voltas e, mais tarde, ele é quem poderá arcar com a dor de uma traição...