sábado, 14 de março de 2009

Em nossas mãos

Se eu que sou mulher (e bonitona) já acho dificil entender algumas coisas femininas, imaginem os homens.


De vez em quando, ao me arrumar para sair, me deparo com meu pai atônito, tentando entender exatamente o que aquele visual significa. A pergunta crucial que ele me faz, numa determinada hora, é:


- Isso está na moda?

Para mim, é o mesmo que ele perguntar "minha filha, existe alguma razão NO MUNDO para você estar se vestindo assim?"


Existe, pai, existe sim. O meu parâmetro de lindeza, glamour e requinte varia. Ele muda a cada (meia) estação. E eu, que quero ser in, tenho que estar sempre prestando atenção nas tendências.


Sim, eu já sei que meu pai e meu namorado e os amigos do meu namorado serão completamente incapazes de compreender as leggings de sentido sintético e estamparia animal que os ventos do inverno parecem já estar anunciando, mas, e daí? Eu compreendo, acho lindo e pretendo emagrecer o que for necessário para usá-las tempestivamente.


Também adoro a cara de surpresa quando um homem, esse ser alienado e alheio à coisas tão básicas no nosso dia-a-dia, descobre, pela primeira vez na vida (o que geralmente acontece depois dos 20 anos), que as cores de esmaltes não são vermelho, vinho, rosa, branquinho, mas, na verdade, Beijo, Luxo, Renda, Misturinha, Deixa Beijar, Rebu com Rubi, Samba com Bossa Nova e que GabrielA é diferente de GabriellE.

Eles nunca vão entender que um vermelho mais vinho é adequado para aquele jantar romântico, mas absolutamente incorreto para uma semana ensolarada na praia (entre outras coisas, pela absurda dificuldade de manutenção).

Eu pergunto:

- Criatura! Você nunca viu o tanto de cores de esmalte disponíveis em qualquer farmácia? Como você acha que elas são identificáveis?

- Pela cor que a gente vê, ué! O vidrinho não é transparente?

Ainda que faça um pouco de sentido a teoria, é impossível explicar a precisão que conseguir um determinado tom nas unhas requer. É quase uma fórmula mágica, e eu conheço gente que mente a cor do esmalte pras amigas. Por exemplo, a bonitona desnaturada passa Paris e jura que é Via Láctea. E você sai do salão com aquele brilho metálico azulado estranho, sem entender onde foi que errou. Ou passa o Platino por cima, quando, na verdade, ele tinha que ser passado antes do Areia. Enfim, essas coisas que fazem toda a diferença.
Pessoalmente, acho absurdo, mas...

Quando meu namorado descobriu esse fato absolutamente corriqueiro em nossas vidas, começou a perguntar para todas as minhas amigas:

- Que esmalte é esse?, e se divertia horrores com as respostas.

Ele chegou ao final do dia me dizendo:

- Amor, vou anotar tudo porque da próxima vez que formos jogar adedanha vou pôr isso tudo como nome de cores, e todo mundo vai ter que aceitar.


Ah, as cores... eu JURO que acho que os cientistas deveriam investigar a sério o cerébro masculino, para tentar descobrir se eles tem mesmo o mesmo entendimento da infinidade de tons existentes. Porque não dá pra discutir com uma pessoa que acha que pêssego e salmão são tons idênticos, que creme é a mesma cor que bege e que areia é bege claro.


Voltando ao tema, eles não podem nem supor as estripulias que fazemos para ficar assim, lindas e com aquela cara de, acordei assim, linda, vamos almoçar? Eles não conseguem, e não conseguirão nunca, espero, entender todas as estratégias que envolvem a escolha de uma blusa e de uma sandália e de combinar estes dois itens com uma das poucas (trinta, no máximo), bolsas de que você dispõe.


Outra coisa que pouquíssimos homens conseguem compreender é o item "maquiagem/cabelo" de festa.



Acho justo. Nós também não entendemos muito sobre o funcionamento da engrenagem dos motores, nem sobre o histórico de partidas do campeonato brasileiro, nem conseguimos, em nossa maioria, prever, na rodada inicial, quais serão todos os futuros adversários e quais são as chances de o Sâo Paulo jogar a final com o Guarani.

Cada um na sua área de competência.


De qualquer maneira, acho que ninguém discorda: seja com duas de renda, uma de café outra de chocolate, ou duas de tomate, o importante é que eles, no final das contas e sem saberem o quanto de inteligência isso demanda, acabem em nossas mãos.

3 comentários:

Catiluva disse...

Ai, que texto bom! O meu pai é igualzinho ao teu! Sempre que eu me estou a arranjar para qualquer saída, pergunto a ele, único home da casa, se estou bem assim ou se é melhor estas calças com este top e etc etc...ele sempre diz "estás muito bem assim". Depois eu pergunto se não é melhor desta outra maneira e ele volta a dizer "também te fica muito bem esse"...ele, como vários homens, não consegue entender as subtilezas de se usar este colar com aquele top e não com o outro...é impossivel, já lhe tentei explicar e nd...mas deixemos que os homens sejam ignorantes nesta matéria, senão o que nos resta de segredos?

ana claudia disse...

engraçado, sexta-feira última tínhamos a colação de grau de uma amiga em casa, e um outro amigo estava hospedado por lá. corre para lá, corre para cá, ele entrou no quarto e se viu perdido na quantidade de maquiagem que havia em cima da cama da amiga. e perguntou: vocês precisam passar tudo isso para se maquiar? achei que era só passar um rímel (pega, ele falou 'rímel' e um batom, que já estava pronto.

mal sabe ele.

Caroline disse...

kkkkkkkk......mostrei pro meu noivo a calça wetlook que tô querendo comprar e ele disse: "PeloamordeDeus Carol, isso é mto feio, vc num vai usar isso não né??" kkkkkkkkkkkkkkk...esses homens não nos entendem!!!! Eu estou simplesmente LOUCA por uma e acho que vou comprar mesmo assim...depois ele vai acabar se acostumando!!!!!

Esse tipo de comentário, assim como o do seu pai, nos deixa temporariamente pensativa...será que tem algo estranho??? rs...mas temos que relevar, pq senão a gente sai de casa de jeans blusinha branca e um saltinho...básica SEMPRE!!! Assim não dá!! rs